Etiqueta: Gravidez ectópica

  • Gravidez Ectópica

    Gravidez Ectópica

    É denominada de gravidez ectópica qualquer implantação embrionária fora da cavidade uterina, isto é, quando o óvulo já fertilizado ao descer pela trompa de Falópio não chega ao útero materno que é o lugar adequado para a sua implantação e desenvolvimento. Nestes casos o embrião implanta-se num outro tecido diferente.

    Em 95% dos casos, as gravidezes ectópicas localizam-se na trompa e são apelidadas de gravidezes tubárias. Existem outros lugares menos comuns onde o embrião pode implantar-se como o ovário, a cavidade abdominal ou o canal cervical.

    Este tipo de gravidez é a causa mais frequente da mortalidade materna durante o primeiro semestre de gestação. A taxa de mortalidade é de 1.8 mortes em cada 1.000 gravidezes ectópicas, sendo a frequência da gravidez ectópica de 1 em cada 100 gravidezes, isto é, 1%.

    A frequência das gravidezes ectópicas aumentou nos últimos 20 anos devido, em primeiro lugar, aos avanços médicos que permitem detectar este tipo de gravidez com mais facilidade. Este aumento deve-se, também, ao aparecimento de novos factores de risco como o desenvolvimento das técnicas de reprodução assistida.

    Mortalidade por gravidez ectópica

    Causas da gravidez ectópica

    Qualquer alteração que impeça ou diminua a movimentação do óvulo através da trompas aumenta o risco de uma gravidez ectópica:

    • Defeito congénito nas trompas de Falópio.
    • Cicatrização depois de uma ruptura do apêndice.
    • Endometriose.
    • Gravidezes ectópicas anteriores.
    • Cicatrização por cirurgia.

    Em alguns casos a causa da gravidez ectópica é desconhecida e pensa-se que as hormonas podem ter um papel importante neste tipo de gravidez.

    Sintomas da gravidez ectópica

    Quando a implantação do embrião acontece num outro tecido que não o útero pode não apresentar nenhuns sintomas durante a etapa inicial, contudo, e a medida que o embrião desenvolve-se, alguns sintomas costumam manifestar-se. Esses sintomas são: dores abdominais agudas, sangramento vaginal, náuseas, etc.

    Estes sintomas podem piorar se o embrião rompe a trompa de Falópio dando origem a uma hemorragia interna que pode, inclusivamente, ser fatal para a mulher.

    É, então, importante diagnosticar este tipo de gravidez rapidamente para que seja possível evitar complicações graves e para que o tratamento não seja demasiado agressivo.

    Diagnóstico da gravidez ectópica

    Os dois métodos de diagnóstico de uma gravidez ectópica mais importantes são a determinação da hormona beta-HCG e a ecografia.

    Uma das vantagens das técnicas de reprodução assistida é a rapidez do diagnóstico. Se o teste de gravidez de sangue for positivo a gravidez é confirmada por uma ecografia que permite detectar a presença de algum saco embrionário.

    Se nenhum saco embrionário é detectado no útero e o teste de gravidez for positivo, há que ter em conta a possibilidade de existir uma gravidez ectópica que deve ser confirmada através de novas análises de sangue que detectem a hormona HCG e outros marcadores bioquímicos como a progesterona e a proteína placentária, entre outros.

    Gravidez ectópica. Análises de sangue

    Tratamento de uma gravidez ectópica

    Muitas gravidezes ectópicas acabam por resolverem-se sem intervenção médica na forma de um aborto precoce, geralmente um aborto tubário. Se este não é o caso, a gravidez pode ser resolvida através de uma cirurgia ou tratamento médico com fármacos quimioterapéuticos.

    A eleição médica de um tratamento e não de outro é feita segundo testes diagnósticos e segundo os sintomas que a paciente apresenta. A paciente deve ser sempre informada das vantagens e dos inconvenientes de cada tratamento.

    Também há que ter em conta o impacto psicológico que a perda precoce de uma gravidez pode ter para a mulher e seu parceiro.

  • Problemas da Fertilização in Vitro

    Problemas da Fertilização in Vitro

    Os principais problemas associados a fertilização in vitro podem derivar da estimulação da ovulação ou da própria gravidez.

    Os riscos derivados da estimulação são:

    • Síndrome da hiperestimulação ovariana.
    • Gestações múltiplas. Em ciclos onde dois embriões são transferidos a probabilidade de uma gestação múltipla é de 6%. Em ciclos onde há a transferência de três embriões a probabilidade da mulher engravidar de gémeos é de 12% e de trigémeos de 3%.

    Gravidez ectópica

    Os riscos derivados da gravidez são:

    • Aborto natural. Calcula-se que um aborto natural acontece em 20-22% dos casos. A maior parte dos abortos espontâneos ocorrem nas primeiras semanas de gestação.
    • Uma gravidez ectópica. A estatística mostra que entre 2 e 5 mulheres em cada 100 submetidas a fertilização in vitro têm uma gravidez ectópica. Nas gravidezes conseguidas de forma natural esta percentagem é de cerca de 1.5%.
  • Quando Fazer um Teste de Gravidez

    Quando Fazer um Teste de Gravidez

    Quando uma mulher está tentando engravidar um dos momentos mais importantes é quando faz a pergunta: Estarei ou não gravida?

    O teste de urina é a forma mais fácil e rápida para uma mulher saber se está gravida ou não. Este teste tem a vantagem de poder ser feito em casa. Contudo, para que o seu resultado seja fiável, este teste tem de ser realizado de forma correcta e no dia apropriado.

    É importante que a mulher leia as instruções antes de fazer um teste de gravidez de urina, já que, a forma de funcionamento desses testes pode variar um pouco apesar de todos se basearem na detecção da hormona gonadotrofina coriónica humana. Esta hormona é segregada pelo embrião após a sua implantação no útero, logo, apenas é detectada em mulheres gravidas. Se na urina existe gonadotrofina, esta reagirá aos anticorpos presentes no teste que mudará de cor ou fará aparecer um linha ou cruz dependendo do teste.

    O dia de realização do teste é muito importante. Se a mulher realizar o teste antes do dia correcto pode obter um “falso negativo”. O dia ideal para fazer este teste e detectar a hormona é o 15º dia depois da possível fertilização do óvulo. No caso de a mulher não saber o dia exacto da fertilização pode esperar até ao dia em que a sua menstruação deveria começar. Se a mulher não menstruar, o teste de gravidez deve ser realizado no primeiro dia de atraso menstrual. Alguns ginecologistas aconselham que a mulher faça o teste apenas 7 dias depois do atraso menstrual para que os níveis de gonadotrofina na urina possam aumentar.

    Teste de urina

    O teste deve ser feito com a primeira urina da manhã porque é a que tem uma maior concentração hormonal. A mulher não deve beber muitos líquidos antes do exame porque esses podem diluir os níveis hormonais. Existem muitos testes de gravidez a venda no mercado e todos medem a concentração da hormona por mililitro de urina. Os testes que detectam 25 mUI/ml são mais sensíveis que aqueles que detectam 40 mUI/ml pois os primeiros são capazes de detectar uma menor concentração de gonadotrofina na urina.

    Estes testes, no caso de serem bem realizados, têm uma fiabilidade de entre 95% e 97%. As mulheres devem ter em atenção o facto de que o resultado do teste pode ser um falso negativo quando este é realizado antes do tempo.

    Perante um teste negativo e um atraso na menstrual é recomendável que a mulher repita o teste 3 ou 4 dias depois para confirmar ou não a existência de uma gravidez.

    Quando o resultado do teste é positivo é garantido que a mulher está gravida, excepto em casos de gravidezes ectópicas e de gestações anembriónicas (apenas há o desenvolvimento do saco embrionário sem o embrião) que podem gerar um falso positivo. No caso de mulheres que se submeteram a tratamentos de reprodução assistida com injecção de fármacos que contêm gonadotrofina o teste de gravidez pode ter um resultado de falso positivo devido a presença da hormona na urina.

  • ICSI – Microinjecção Intracitoplasmática de Espermatozóides

    ICSI – Microinjecção Intracitoplasmática de Espermatozóides

    ICSI é um tratamento de reprodução assistida frequentemente utilizado em casos de esterilidade graves, sobretudo de esterilidade masculina, já que não requer mobilidade dos espermatozóides.

    ICSI provem das siglas em inglês Intracytoplasmic Sperm Injection e consiste na selecção do melhor espermatozóide para que seja introduzido no interior de uma agulha de microinjecção e, depois, injectado dentro do citoplasma do óvulo.

    O que é o ICSI?

    É uma técnica de reprodução assistida semelhante a fertilização in vitro convencional com a diferença que a inseminação dos óvulos é feita ao introduzir um espermatozóide no interior do óvulo mediante uma microinjecção de forma directa e mais elaborada que numa FIV.

    É utilizada quando os espermatozóides têm dificuldades em penetrar o óvulo sozinhos. Neste caso pode ser utilizado sémen do parceiro ou de um dador. É, igualmente, utilizada quando a contagem de espermatozóides é muito baixa. É uma técnica mais complexa que a de fertilização in vitro convencional, logo, tem um custo económico superior.

    Indicações

    O tratamento por ICSI está indicado nos seguintes casos de esterilidade masculina:

    Azoospermia

    Esta causa de infertilidade deve-se a ausência de espermatozóides no sémen ejaculado. Isto ocorre por duas razões distintas. Uma delas é a incapacidade dos espermatozóides misturarem-se com os restantes fluídos do sémen. Neste caso os espermatozóides são criados.
    No segundo caso, os espermatozóides não chegam a ser produzidos, já que o problema ocorre justamente no seu processo de criação.

    Oligozoospermia

    Refere-se a uma má qualidade do sémen relacionada com sua falta de volume. Segundo a Organização Mundial de Saúde, para que uma amostra de sémen seja viável é necessário que tenha uma quantidade igual ou superior a 20 milhões de espermatozóides por milímetro. Esta causa de infertilidade masculina é, também, apelidada de oligospermia.

    Evidentemente, existem diferentes graus de oligospermia. Entre os 10 e os 20 milhões de espermatozóides por milímetro trata-se de uma oligozoospermia moderada, enquanto que quando existem menos de 10 milhões de espermatozóides por milímetro a oligozooespermia é considerada severa.

    Criptozoospermia

    Também conhecida como criptoespermia, é detectada através de um espermograma, isto é, um exame que mede a qualidade do esperma em função do número de espermatozóides. A infertilidade é detectada quando a contagem de espermatozóides é inferior a 10.000 por milímetro de esperma.

    Astenozoospermia

    Ao contrário dos problemas anteriores, neste caso a qualidade dos espermatozóides é avaliada com base na sua mobilidade. Segundo o estipulado pela Organização Mundial de Saúde, há uma astenozoospermia quando a quantidade de espermatozóides com capacidades de movimentação é inferior 25% ou quando essa movimentação é rectilínea.

    Infertilidade masculina como causa para realizar um ICSI

    Teratozoospermia

    A teratozoospermia ou teratospermia faz referência a morfologia dos espermatozóides. O paciente é considerado infértil se mais de 85% da amostra de sémen ejaculado apresentar anormalidades morfológicas. Neste caso, se o paciente quer ser pai o tratamento ICSI é aconselhado.

    O padrão de esterilidade está estabelecido nos 15% de espermatozóides morfologicamente correctos. Uma percentagem mais baixa que 4% é um sinal claro de infertilidade enquanto que uma percentagem entre os 4% e os 15% representa um bom prognóstico de fertilidade.

    Oligoastenozoospermia

    Também apelidada de oligoastenospermia, refere-se a existência de um conjunto de problemas relacionados com a qualidade do sémen, isto é, somam-se mais do que um dos problemas anteriormente mencionados. Assim, para além de haver uma baixa quantidade de espermatozóides na amostra de sémen, esses espermatozóides têm pouca mobilidade.

    Oligoastenoteratozoospermia

    A oligoastenoteratozoospermia é um caso semelhante ao anterior. Neste caso, conjuga-se a baixa mobilidade dos espermatozóides com uma percentagem elevada de anomalias morfológicas.

    Entre os pacientes para quem o ICSI é recomendado encontram-se os homens que hão realizado uma vasectomia, homens com alguma doença contagiosa como o VIH, homens com sémen congelado que se submeteram a tratamentos de quimioterapia ou radioterapia e homens com impossibilidade de ejacular em condições normais.

    Em relação a esterilidade feminina as causas que levam uma paciente a submeter-se a uma tratamento ICSI são menores. Tratam-se de casos onde há obtenção de um número baixo de ovócitos depois de uma punção ovárica ou casos em que a qualidade dos óvulos é pouca.

    Requisitos

    O ICSI é, habitualmente, realizado em casais que após vários ciclos de fertilização in vitro não obtiveram resultados positivos. O método de microinjecção intracitoplásmica de espermatozóides é mais complexo que a FIV e, neste caso, os casais com um alto nível de infertilidade podem alcançar melhores resultados.

    Infertilidade feminina

    O Processo

    Os passos a seguir durante uma ICSI são os mesmo da FIV convencional, com a diferença que a ineminação dos ovócitos é feita mediante a introdução, de maneira artificial e com um micro-manipulador,de um espermatozóide em cada um dos óvulos maduros obtidos.

    De seguida delineamos todas as etapas deste procedimento:

    Estimulação controlada do ovário

    A estimulação ovárica é feita através de fármacos com o objectivo de controlar em absoluto o óvulo e sua trajectória.

    Punção ovárica

    Consiste na extracção do óvulo maduro, isto é do óvulo quando esta pronto para ser fertilizado. Esta técnica é, também, conhecida como punção folicular.

    Recolha e preparação do sémen

    Esta fase é caracterizada pela realização de uma série de exames que pretendem assegurar a qualidade do sémen.

    Inseminação dos ovócitos

    Por fim, o esperma é introduzido no ovócito com o fim de o fertilizar e dar início ao processo de gravidez.

    Cultivo de embriões

    Este passo é imprescindível para assegurar que o melhor embrião é escolhido para depois ser transferido. Trata-se de observar a forma como se produz a criação de embriões após a fecundação do ovócito. A implantação do embrião no útero da mulher é feita sete dias após a inseminação. Este é o tempo necessário para que haja uma mistura da informação genética dos progenitores e para que o embrião tenha iniciado a sua evolução.

    Transferência de embriões

    Após o cultivo de embriões, é determinado o número destes que serão transferidos para o útero da mulher. Apenas os embriões de maior qualidade são escolhidos. Esta é uma técnica muito simples e que pode ser realizada em poucos minutos. Um catéter muito fino, no qual são depositados os embriões seleccionados, é introduzido via vagina no útero. Ai são depositados os embriões e, posteriormente, é retirado o catéter.

    Congelamento de embriões

    O congelamento de embriões é feito apenas aos embriões de alta qualidade e tem o objectivo de conserva-los para que possam ser posteriormente utilizados se necessário.

    Resultados

    São os mesmos que em uma FIV convencional. O factor que mais influência o êxito da ICSI é a idade da mulher.

    Probabilidades de êxito

    As percentagens de êxito desta técnica variam de caso para caso, sempre tendo em conta a idade das mulheres que se submetem a este tratamento.
    As percentagens de sucesso são:

    • 40% em mulheres com menos de 35 anos de idade.
    • Entre 27% e 36% em mulheres com idade entre os 35 e os 37 anos.
    • Entre 20% e 26% em mulheres com idade entre os 38 e os 40 anos.
    • Entre 10% e 13% em mulheres com mais de 40 anos.

    Contudo, esta é apenas uma forma de medir o êxito, sendo que esse depende, também, dos problemas de esterilidade de cada casal em concreto.

    Problemas

    Os problemas são os mesmos da FIV convencional:

    • Síndrome de hiperestimulação ovárica.
    • Gravidez múltipla Em ciclos onde há a transferência de dois embriões a probabilidade de uma gestação múltipla é de 6%. Em ciclos onde há a transferência de três embriões essa probabilidade é de 12% e a probabilidade de ter uma gravidez de trigémeos é de 3%.

    Riscos

    • Aborto natural: calcula-se que isto aconteça em cerca de 20% a 22% dos casos. A maior parte dos abortos espontâneos ocorrem nas primeiras semanas de gestação.
    • Gravidez ectópica: estatisticamente, entre 2 e 5 em cada 180 mulheres podem ter uma gravidez ectópica após um tratamento de fertilização in vitro.
    • Gravidez Múltipla.

    Preços do ICSI

    Os custos de um tratamento ICSI são variáveis e podem variar segundo as clínicas, segundo a cidade e segundo o país no qual se realiza o tratamento.

    Preço da ICSI

    Outro aspecto a ter em conta é a situação pessoas de cada casal. O tratamento ICSI tanto pode surtir bons resultados da primeira vez quanto podem ser necessários vários ciclos até que seja alcançado o sucesso. Dependendo do grau de infertilidade e do número de tentativas necessárias até que o sucesso seja alcançado, o preço do tratamento pode aumentar exponencialmente.

  • Inseminação Artificial (IA)

    Inseminação Artificial (IA)

    A inseminação artificial é uma das técnicas de reprodução assistida mais simples. Apesar da crença comum de que esta é um técnica moderna, pensa-se que começou a ser testada em humanos já no século XV, tendo ganho popularidade na década de 70 do século XX. A sua utilização é cada vez mais comum e estima-se que, por exemplo, em Espanha sejam realizadas cerca de 23.000 inseminações artificiais por ano, numero este que aumenta de ano para ano.

    A inseminação artificial é um processo simples e menos invasivo que outras técnicas de reprodução assistida mais complexas. É indolor e não é necessário anestesia.

    O que é a inseminação artificial?

    A inseminação artificial consiste na deposição de espermatozóides de uma forma não natural no útero da mulher durante o seu período de ovulação com o objectivo de conseguir uma gravidez.

    A inseminação é amplamente utilizada, existindo diferentes tipos de inseminação artificial dependendo do local de deposição dos espermatozóides no aparelho reprodutor feminino:

    • Inseminação artificial Intratubária
    • Inseminação artificial Intracervical
    • Inseminação artificial Intravaginal
    • Inseminação artificial Intrafolicular
    • Inseminação artificial Intra-uterina

    A inseminação artificial Intra-uterina é a mais utilizada e a que apresenta melhores resultados. Os outros tipos de inseminação artificial apenas são utilizados se houver problemas em alcançar o útero da mulher através do cérvice.

    Inseminação artificial

    Os tipos de inseminação artificial podem, também, ser classificados segundo a origem da amostra de sémen. Estes tipos podem ser a inseminação feita com o sémen do homem do casal ou inseminação feita com sémen de um dador. Nos casos de mulheres solteiras, de casais lésbicos ou de casais heterossexuais nos quais o homem tem problemas graves, a inseminação feita com sémen de um dador é a técnica utilizada.

    Indicações da escolha do método de inseminação artificial

    Ao escolher este método de reprodução assistida é importante fazer uma diferenciação dos vários tipos de inseminação artificial:

    Inseminação artificial utilizando o sémen do parceiro

    Este tipo de inseminação artificial deve ser utilizada quando existe:

    • Infertilidade feminina devido a problemas no cérvice.
    • Endometriose leve ou moderada.
    • Alterações no ciclo menstrual. Estas alterações incluem, por exemplo, o síndrome do ovário policístico.
    • Impossibilidade de depositar o sémen na vagina: ejaculação retrograda, vaginismo, ejaculação precoce, impotência sexual.
    • Alterações na qualidade do sémen.
    • Esterilidade de origem desconhecida: quando análises prévias não acusam a existência de qualquer patologia e os os pacientes apresentam níveis de fertilidade normal é recomendado começar com a inseminação.
    • Esterilidade de causa imunológica: incompatibilidade entre o aparelho reprodutor feminino e o esperma. Geralmente, esta esterilidade acontece devido a fabricação de anticorpos por parte da mulher que destroem os espermatozóides. A esterilidade de causa imunológica não é muito comum e a forma como funciona ainda não é totalmente conhecida.

    Indicações

    Inseminação artificial com sémen de dador

    No caso de um casal, após várias tentativas falhadas de inseminação com o sémen do parceiro é possível recorrer a inseminação com sémen de um dador. Este método é, geralmente, utilizado nos seguintes casos:

    • Mulheres solteiras ou casais lésbicos.
    • Existência de doenças genéticas do homem que não podem ser previamente diagnosticadas
    • Baixa qualidade do sémen.
    • Existência de doenças sexualmente transmitidas que impedem a garantia de existência de sémen sem vírus mesmo após a realização de tratamentos.

    Requisitos

    Para que um casal possa submeter-se à tratamentos de inseminação artificial devem reunir um conjunto de condições mínimas que assegurem que esta técnica funcionará correctamente.

    Em primeiro lugar o risco de existência de Hepatite C ou B, do vírus VIH, de Rubéola, de Sífilis e de Taxoplasmoses deve ser descartado, garantindo que não há riscos de contágio entre o casal e/ou o futuro bebé.

    Uma vez garantida a segurança é necessário comprovar a permeabilidade tubária da mulher. Isto é feito através de uma série de técnicas que permitem observar as trompas de Falópio e seu funcionamento.

    No caso do homem, é necessário que este tenha um mínimo de espermatozóides de boa qualidade. É necessária uma contagem superior aos 3 milhões de espermatozóides móveis.

    Por fim, o factor idade influência directamente as probabilidades de êxito ou fracasso de uma inseminação artificial. Em média, depois dos 36 anos as probabilidades de engravidar das mulheres começam a baixar.

    Processo

    A inseminação artificial é uma técnica simples que consiste em estimular suavemente a mulher e, no dia da sua ovulação, introduzir o sémen no seu útero.

    Ciclo ovárico controlado

    É necessário saber em que momento exacto do seu ciclo menstrual se encontra a mulher de forma a ser possível saber quando se deve realizar a inseminação. Nas mulheres que ovulam sem problemas não é necessário estimular o ciclo menstrual. Contudo, é recomendado faze-lo porque aumenta as possibilidades de sucesso do processo de inseminação.

    A estimulação ovárica é feita através da utilização de uma série de hormonas. As mais utilizadas são as gonadotrofinas. O controlo do número de folículos estimulados é recomendado, já que, a estimulação de um número elevado pode produzir gestações múltiplas. Assim, a estimulação deve ser suave e monitorizada.

    Ciclo menstrual estimulado pela inseminação artificial

    Indução da ovulação

    Uma vez alcançado o crescimento ideal dos folículos (18 mm de diâmetro), as hormonas para desencadear a ovulação são administradas e a ovulação ocorre nas 36-48 horas seguintes. A inseminação deve ser realizada nesse espaço de tempo.

    Capacitação do Sémen

    A fim de ser possível obter uma amostra de sémen em boas condições é aconselhável que o homem guarde um período de abstinência de 4 dias. Se o sémen utilizado é de um dador a clínica se encarregará de garantir a qualidade do mesmo.

    A capacitação do sémen é uma técnica através da qual proteínas e outros restos são eliminados do sémen, preservando-se os espermatozóides que têm boa mobilidade.

    Inseminação intra-uterina

    Neste caso a inseminação é feita durante o período de ovulação. Os espermatozóides capacitados são recolhidos num tubo e injectados no cérvice da mulher. Esta injecção pode ser feita directamente ou guiada por uma ecografia para que a paciente a possa seguir. Este procedimento é indolor e, por precaução, é aconselhável fazer uma hora de repouso após a inseminação. Depois do repouso a mulher pode abandonar a clínica e proceder com a sua vida normal.

    Apoio à fase luteína

    Geralmente, progesterona é administrada por via vaginal no suporte à fase luteína, isto é, a última fase do ciclo menstrual, para que a implantação do embrião seja mais fácil.

    Resultados

    Existe uma variedade de factores que influenciam os resultados da inseminação artificial como é o caso da idade da mulher, a espessura do endométrio e a qualidade do esperma. É importante incluir neste tratamento apenas os pacientes adequados.

    A eficácia do tratamento varia segundo as clínicas, sendo que a taxa de gravidez de sucesso de mulheres com menos de 35 anos que se submeteram a um tratamento de inseminação artificial com o sémen do seu parceiro varia entre os 13% e os 25%. No caso de utilização de sémen de um dador a taxa de sucesso ronda os 18-29%.

    Diversos estudos demonstram que é aconselhável realizar uma série de inseminações no caso de não haver gravidez. O mais recomendável é realizar 4 ciclos de inseminações e, se não for possível produzir uma gestação, outro tratamento de reprodução assistida deve ser escolhido. A taxa de gravidez após estes quatro ciclos é de 50-60% quando é utilizado o sémen do parceiro e de 60-70% no caso de utilização do sémen de um dador.

    Taxas de sucesso e resultados da IA

    Vantagens

    A principal vantagem da inseminação artificial é que é uma técnica simples que não requer qualquer intervenção cirúrgica. Assim, a utilização de anestesia não é necessária e todo o procedimento é indolor.

    Outra vantagem é o custo. Por ser uma técnica menos complexa o seu preço é menor quando comparado com outros tratamentos de reprodução assistida que requerem intervenção cirúrgica.

    Problemas

    Apesar de o número de problemas relacionados com a inseminação artificial ter vindo a diminuir continuamente durante os últimos anos em algumas ocasiões podem surgir algumas complicações como:

    • Síndrome da Hiperestimulação ovárica. Este síndrome é causado por uma resposta excessiva dos folículos as hormonas. Por este motivo as estimulações durante o processo de inseminação artificial devem ser suaves e controladas através de ecografias. Quando um risco de hiperestimulação é detectado o ciclo deve ser interrompido.
    • Gravidez Múltipla: a estimulação dos folículos pode originar gestações múltiplas sobretudo em mulheres jovens. Actualmente, as clínicas de reprodução assistida esforçam-se para evitar as gestações múltiplas, já que estas acarretam alguns riscos. Em mulheres com menos de 35 anos a administração de hormonas deve ser cancelada no caso de existirem mais de 5 folículos de 12mm ou mais de 3 com 15mm.

    Desvantagens da inseminação artificial: gestações múltiplas

    • Gravidez ectópica, refere-se a implantação do embrião fora da cavidade uterina. Em gravidezes conseguidas através de inseminação artificial o risco de uma gravidez ectópica é de 4%.
    • Aborto: o risco de aborto é maior durante as primeiras semanas de gestação, sendo que a taxa encontra-se nos 20%.
    • Infecções: são muito pouco frequentes (0.07% em cada inseminação), graças as rigorosas medidas de esterilização obrigatórias nas clínicas.

    Podem, também, produzir-se inflamações pélvicas e alguns problemas imunológicos.

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