Autor: Carla Nobrega

  • Reprodução Assistida

    Reprodução Assistida

    Reprodução assistida refere-se ao conjunto de técnicas que implicam a manipulação das gâmetas e que são utilizadas no tratamento da infertilidade.

    Reprodução Assistida

    Até quase ao fim do século XX as pessoas com problemas de infertilidade tinham de resignar-se ao facto de que não poderiam ter filhos ou optar pela adopção no caso de desejarem formar uma família. Tudo isto mudou em 1978, com o nascimento de Louise Brown, o primeiro bebé-proveta.

    A reprodução assistida passou, assim, a ser uma solução para a esterilidade.

    A técnica que permitiu o nascimento deste bebé foi a fertilização in vitro (FIV) que consistiu na extracção de um óvulo da paciente e sua união com espermatozóides em uma placa de laboratório. O embrião foi dividido em até quatro células que, posteriormente, foram reimplantadas no útero da mãe. O sucesso desta primeira fertilização in vitro abriu as portas para o desenvolvimento de todo um conjunto de técnicas que hoje conhecemos como reprodução assistida.

    O conceito de reprodução assistida é muito amplo, uma vez que envolve a intervenção humana em grande parte do processo reprodutivo, como por exemplo:

    • Processo de ovulação
    • Processo de formação de espermatozóides
    • Manipulação do óvulo e/ou dos espermatozóides
    • Manipulação dos embriões

    O desenvolvimento de técnicas de reprodução assistida contribuiu, ainda, para o crescimento de outras ciências relacionadas com a reprodução, como é o caso da medicina reprodutiva. As técnicas de reprodução actuais permitem realizar uma extracção das células do pré-embrião para comprovar, através dessas mesmas células, se existem alterações nos cromossomas ou indicadores de doenças genéticas. Assim, apenas os embriões considerados saudáveis são reimplantados na mulher.

    Indicações da reprodução assistida

    As pessoas que têm problemas de fertilidade e não podem conceber um filho de forma natural são as que devem recorrer à reprodução assistida.

    Existem várias alterações na fertilidade que podem impedir ou dificultar o processo normal de reprodução. Algumas dessas alterações são:

    • A esterilidade, definida como a impossibilidade de engravidar após pelo menos um ano de vida sexual continua sem protecção.
    • A infertilidade refere-se à impossibilidade de levar ao seu correcto término uma gravidez, havendo, por vezes, o nascimento de um nado-morto.

    Indicações para o uso da reprodução assistida

    Técnicas de reprodução assistida

    As técnicas de reprodução assistida têm o grande objectivo de possibilitar a gravidez de mulheres estéreis ou inférteis e o nascimento de recém-nascidos saudáveis. O contínuo avanço da ciência e o desenvolvimento de novas tecnologias permitem que as técnicas de reprodução assistida estejam em constante evolução e que os protocolos e métodos de reprodução já existentes sejam melhorados.

    Actualmente, as principais técnicas de reprodução assistida são as seguintes:

    • Inseminação artificial, isto é, a implantação de espermatozóides de forma não natural na cavidade uterina.
    • Fertilização in vitro, ou seja, a fertilização de óvulos com espermatozóides em laboratório e posterior transferência embrionária.
    • Micro-injecção intracitoplasmática de espermatozóides, isto é, a injecção de um único espermatozóide no citoplasma do ovócito e posterior transferência embrionária.
  • Pólipos Uterinos

    Pólipos Uterinos

    Os pólipos uterinos, também denominados pólipos endométrios, são formações exageradas de tecido endometrial situadas no útero, maioritariamente no endométrio (camada interna do útero). São considerados tumores porque traduzem-se num crescimento anormal das células do tecido uterino. Na sua maioria são tumores benignos e não supõem a existência de problemas graves.

    As características dos pólipos uterinos

    Os pólipos estão localizados em diferentes zonas do aparelho reprodutor feminino: colo ou cérvice uterina, endométrio, trompas de Falópio e, mais raramente, no períneo ou na vagina.

    Este tipo de tumor ocorre em mulheres com uma frequência de entre 1% e 3%, o seu desenvolvimento aumenta com idade e, quando aparece a partir da menopausa, pode vir a ser uma das causas do desenvolvimento do cancro endometrial. Estima-se que menos de 1% destes tumores sejam malignos.

    Sintomas

    Normalmente, os pólipos de pequenas dimensões são assintomáticos e as mulheres não sabem que os têm. Contudo, quando o pólipo cresce há o aparecimento de um sintoma característico, isto é, há o aparecimento de uma hemorragia abundante durante a menstruação (hipermenorreia), entre menstruações (metrorragia) ou, inclusivamente, após relações sexuais. Acredita-se que cerca de 25% dos sangramentos irregulares estão relacionados com a presença de pólipos endometriais.

    Outro sintoma que se pode manifestar nas mulheres é a existência de uma anemia devido as frequentes e abundantes hemorragias causadas pelos pólipos.

    Hemorragia num pólipo uterino

    Diagnóstico

    Os pólipos são, geralmente, detectados pelos ginecologistas durante consultas de rotina através de uma ecografía transvaginal. Contudo, para garantir a exactidão do diagnóstico, é possível realizar-se um exame denominado ultra-sonografia tridimensional ou uma hidro-sonografía.

    • A ultra-sonografia tridimensional permite a visualização, em alta definição, do útero em diferentes ângulos.
    • A hidro-sonografía consiste na realização de uma ecografia transvaginal que incluí a injecção de uma solução salina ou soro fisiológico estéril por via vaginal, de forma a facilitar a visualização do pólipo.

    O diagnostico dos Pólipos uterinos

    Tratamento

    O tratamento de um pólipo baseia-se, em geral, na sua remoção apelidada de polipectomia, geralmente realizada através de uma histeroscopia.

    A histeroscopia é uma pequena cirurgia ambulatória que consiste na introdução na cavidade uterina de um endoscópio com material cirúrgico e de uma pequena câmara e luz que permitem a visualização através de imagens digitais do interior do útero.

    Outra forma de eliminar os pólipos de pequeno tamanho é raspando a cavidade uterina.

    Independentemente do tratamento utilizado, uma vez extraído o pólipo, uma pequena parte deste é enviado para análises em um laboratório para que seja possível confirmar que se trata de um pólipo benigno.

    Tratamento dos Pólipos uterinos

    Factores de Risco

    Existem uma série de factores que podem contribuir para o aumento do risco de aparecimento de um pólipo uterino. Esses factores são:

    • Mulheres com problemas de obesidade.
    • Concentração elevada de estrogênios.
    • Anovulação crónica. Isto é, existência de ciclos sem ovulação
    • Insuficiência lútea.
    • Idade: o risco de aparecimento de pólipos aumenta com a idade.
    • Uso de fármacos utilizados no tratamento do cancro de mama.
    • Mulheres com hipertensão arterial.
    • Inflamação crónica uterina.

    Factor de risco - pólipos encometriais

    Causa de Infertilidade

    Os pólipos estão relacionados com a infertilidade, uma vez que, dependendo da sua localização dento da cavidade uterina, podem ser uma das causas da ocorrência de abortos espontâneos; podem impedir a implantação do embrião ou podem obstruir a passagem dos espermatozóides até ao óvulo. Os pólipos pequenos – menos de 2 cm – não contribuem para a diminuição das taxas de gravidez, mas contribuem para o aumento das taxas de aborto.

    Entre 15% e 24% das mulheres com problemas de infertilidade apresentam pólipos no seu útero.

    No caso dos pacientes que se submetem a tratamentos de reprodução assistida, o diagnóstico dos pólipos costuma ser rápido, já que, um dos primeiros exames realizados é uma ecografia transvaginal, através da qual é possível detectar a presença ou ausência de alguns pólipos. No caso de existência de pólipos a paciente pode ser encaminhada para um especialista em histeroscopias.

    Segundo um estudo realizado a 230 mulheres em um centro de reprodução assistida no Japão, as taxas de gravidez após a realização de uma polipectomia aumentaram de 23% para 65%.

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