Categoria: Esterilidade

  • Indicações da Microinjecção Intracitoplasmática de Espermatozóides

    Indicações da Microinjecção Intracitoplasmática de Espermatozóides

    A ICSIS é uma técnica de reprodução assistida aplicada nos seguintes casos de problemas de esterilidade:

    • Esterilidade masculina. Esta técnica é utilizada quando existem casos de azoospermia, criptozoospermia, astenozoospermia, teratozoospermia, oligoastenozoospermia, oligoastenoteratozoospermia, homens que tenham feito uma vasectomia, homens com doenças infecciosa, homens com sémen congelado antes de um tratamento de radioterapia ou quimioterapia e de homens que não conseguem ejacular normalmente.

    • Esterilidade feminina. Esta técnica é utilizada quando há a obtenção de um baixo número de ovócitos depois da punção ovariana ou quando esses ovócitos são de má qualidade.

    • Vários ciclos de fertilização in vitro falhados.
    • Falha na fertilização dos ovócitos num processo de FIV convencional.
    • Microinjecção de ovócitos não fertilizados com FIV convencional.
    • Amadurecimento in vitro de ovócitos ainda não maduros.
    • Realização do diagnóstico genético pré-implantação por alterações genéticas do casal ou por necessidade de conhecer os embriões geneticamente normais.
    • Esterilidade imunológica com baixo número de anticorpos anti-espermatozódes e após o fracasso de diversos ciclos de inseminação artificial ou esterilidade imunológica com alto número de anticorpos anti-espermatozóides.
  • Indicações da Fertilização in Vitro Convencional

    Indicações da Fertilização in Vitro Convencional

    A fertilização in vitro convencional é uma técnica de reprodução assistida na qual o óvulo e os espermatozóides unem-se fora do corpo da mulher. Esta técnica é aplicada nos seguintes casos de esterilidade:

    Fertilização in vitro tradicional

    • Casos de infertilidade masculina. A fertilização in vitro convencional é utilizada quando existe um alteração moderada do sémen com um número suficiente de espermatozóides com mobilidade progressiva e uma contagem de espermatozóides por milímetro de sémen superior a 1 milhão (factor de esperma).
    • Casos de infertilidade feminina. A fertilização in vitro convencional é utilizada quando existe uma obstrução das trompas de Falópio (factor tubário), alterações ovulatórias (factor endócrino ovárico ) ou uma endometriose moderada ou severa.
    • Esterilidade de origem desconhecida após o fracasso de mais de uma inseminação artificial.
    • Fracasso repetido de diversos ciclos de inseminação artificial.
  • Azoospermia

    Azoospermia

    Existem muitos casais que, depois de um ano mantendo relações sexuais sem protecção, não conseguem ter filhos. Em 30% dos casos isto deve-se a um problema exclusivamente masculino e em 20% a um problema de causa mista.

    Para comprovar a fertilidade masculina o exame mais habitual é o espermograma. No âmbito deste exame uma amostra de sémen ejaculado do homem é recolhida e examinada em laboratório para que o número de espermatozóides possa ser contado e o seu estado analisado.

    Definição e diagnóstico de azoospermia

    Azoospermia é definida como a ausência de espermatozóides no ejaculado. Calcula-se que, dentro dos problemas de infertilidade masculina, a azoospermia manifesta-se em entre 3 e 10% dos casos.

    A azoospermia é um transtorno que não apresenta sintomas para o homem, logo, para ser diagnosticada é necessário determinar os níveis de hormona FSH. Esta hormona é produzida no cérebro e é a responsável pela espermatogénese (formação dos espermatozóides) nos testículos. Se os valores desta hormona são elevados significa que há uma diminuição ou ausência de células mães dos espermatozóides. A análise da concentração de testosterona também é recomendada.

    Azoospermia

    Existem dois tipos de azoospermia, a azoospermia secretora na qual os testículos não são capazes de produzir espermatozóides e a azoospermia obstrutiva, na qual existem espermatozóides que, devido a uma obstrução dos canais deferentes, não são expulsos no ejaculado.

    Para determinar o tipo de azoospermia é necessário realizar uma biopsia testicular que consiste em recolher um pequeno fragmento de cada testículo para que seja possível confirmar se o testículo produz (azoospermia obstrutiva) ou não (azoospermia secretora) espermatozóides.

    Azoospermia secretora

    A azoospermia secretora ou não obstrutiva é a mais severa e frequente (70% dos casos de azoospermia). Pode ser congénita (desde o nascimento) ou adquirida (doença ou tratamento com fármacos tóxicos) e as suas causas mais comuns são:

    • Anomalias na descida dos testículos.
    • Exposição à substâncias tóxicas: fármacos, radioterapia e quimioterapia.
    • Transtornos genéticos.
    • Alterações hormonais.
    • Problemas nos testículos: traumatismos, inflamações, varicocele severa, etc.

    A recuperação de espermatozóides nos casos de azoospermia secretora é complicada pois os espermatozóides não são gerados. Contudo, é possível conseguir uma gravidez. Em alguns pacientes com este tipo de infertilidade masculina foram encontradas pequenas concentrações de espermatozóides nos testículos através de pequenas biopsias testiculares. Assim, se forem encontrados espermatozóides esses são congelados e utilizados numa técnica de ICSI.

    Imagem de Azoospermia secretora

    Azoospermia obstrutiva

    A Azoospermia obstrutiva deve-se a um problema nos canais que transportam os espermatozóides desde os testículos até a uretra, onde é produzido o ejaculado. As causas mais comuns deste tipo de azoospermia são:

    • Ausência de canais deferentes (quer seja desde o nascimento ou devido a uma intervenção cirúrgica).
    • Inflamações ou traumatismos dos testículos, epidídimo, canais deferentes ou próstata.

    É mais fácil obter espermatozóides neste tipo de azoospermia. Em determinados casos esta alteração pode ser reversível e, com diversas técnicas de microcirurgia, é possível tentar desobstruir ou unir os canais para que os espermatozóides possam ser encontrados no sémen. Nos casos em que isto não é possível, procede-se a recolha dos espermatozóides nos testículos através de uma biopsia testicular. Costuma ser necessária apenas uma biopsia, já que, a espermatogénese é feita de forma natural.

    Imagem de Azoospermia obstructiva

    Azoospermia e varicocele

    A relação entre azoospermia e varicocele é bastante comum. 5% dos casos de varicocele transformam-se em azoospermia. Contudo, para que isto aconteça a varicocele tem de ser muito severa.

    Azoospermia e varicocela

    A varicocele é definida como a dilatação das veias que formam o cordão espermático e que afectam directamente a espermatogénese, isto é, a produção de espermatozóides.

    Em pacientes azoospérmicos secretores que corrigiram a sua varicocele a recuperação do tecido testicular pode ser de até 50% e da mobilidade do esperma no ejaculado de 55%.

  • Hipospermia

    Hipospermia

    A hipospermia é uma alteração do esperma do homem na qual o volume de sémen ejaculado é inferior a 1.5 mililitros.

    O volume de sémen ejaculado é considerado normal quando é de entre 1.5 e 6 mililitros.

    A prova que se realiza para diagnosticar uma hipospermia é denominada de espermograma.

    A hipospermia é causa por, por exemplo:

    • Ejaculação retrograda parcial.
    • Ausência de canais deferentes.
    • Obstrução dos condutores ejaculadores.
    • Insuficiência androgénica.
    • Simpatectomia.
    • Cirurgia do colo vesicular.

    Amostra de sémen

    A ausência de ejaculado é apelidada de aspermia.

    Quando um homem deseja ter filhos e, após mais de um ano de relações sexuais continuas e sem protecção, a sua parceira não engravida, é recomendado recorrer a inseminação artificial nos casos em que a quantidade de espermatozóides é suficiente e a sua mobilidade é adequada. Em caso contrário, a fertilização in vitro é aconselhável.

  • Hidrocele Testicular

    Hidrocele Testicular

    Os testículos estão localizados dentro de uma bolsa denominada de escroto. Ali, encontram-se imersos em um pequena quantidade de líquido que contribui para a sua mobilidade e os protege de alguns golpes externos.

    A hidrocele ocorre quando a quantidade de líquido no escroto aumenta devido a uma inflamação de um ou ambos os testículos. A obstrução de um vaso sanguíneo ou vaso linfático pode, também, influenciar o aumento do tamanho da bolsa do escroto.

    Hidrocele

    A hidrocele é comum em bebés recém-nascidos. Durante o desenvolvimento normal os testículos descendem desde o abdómen até ao escroto através de um canal. No caso desse canal não fechar, o líquido passa desde o abdómen e acumula-se no escroto.

    Hidrocele pode ser acompanhada de uma hérnia inguinal.

    Tipos

    • Hidrocele congénita. Produz-se quando a túnica vaginal (membrana mais interna que contem o testículo) não se fechou completamente fazendo com que o líquido passe até a cavidade do escroto. Normalmente a hidrocele desaparece aos 18 meses de idade.
    • Hidrocele adquirida. Crê-se que este tipo de hidrocele pode dever-se a um antecedente de inflamação nos testículos. Esta inflamação pode ser causada por tumores, torções testiculares ou traumatismos. A hidrocele adquirida é mais comum em jovens e adultos.

    Sintomas

    O principal sintoma da hidrocele é o inchaço do testículos. Pode afectar apenas um ou os dois testículos.

    No exame medico, não é possível detectar o testículo devido ao líquido que o envolve. Dependendo do caso, o tamanho do testículo pode aumentar. A variação na quantidade deste líquido pode dever-se a uma hérnia inguinal.

    Hidrocele pode ser facilmente vista se a maior parte do escroto for iluminada. Em caso de hidrocele, o escroto ficará perfeitamente iluminado devido ao líquido transparente. Uma ecografia para confirmar o diagnóstico pode ser feita.

    Iluminação da hidrocele

    Tratamento

    Normalmente, a hidrocele não é perigosa e apenas é tratada quando causa moléstias ao homem ou quando o seu tamanho aumenta de tal forma que ameaça o correcto transporte de sangue até ao testículo.

    Actualmente o tratamento é uma cirurgia. Durante essa operação é feita uma pequena incisão no escroto ou na parte inferior do abdómen e procede-se a extracção do líquido em excesso. O volume do tecido é diminuído para evitar que volte a encher-se de líquido. A intervenção é feita em ambulatório com anestesia geral.

    Outra opção de tratamento é retirar o líquido do escroto com uma agulha. Este processo é apelidado de aspiração. Contudo, devido ao risco de infecção e a alta probabilidade da hidrocele voltar a aparecer este método não é tão utilizado quanto a cirurgia. A aspiração pode ser a melhor alternativa para pessoas para quem a cirurgia apresenta certos riscos.

    Depois da aspiração, alguns medicamentos que promovem o cerrar da abertura podem ser injectados. Isto pode contribuir para a prevenção da acumulação posterior de mais líquido.

    A hidrocele associada com uma hérnia inguinal deve ser reparada por via cirúrgica o mais cedo possível.

    Diagnóstico

    Geralmente, uma hidrocele simples desaparece sem ser necessário uma cirurgia. No caso de essa cirurgia ser necessária, é um procedimento simples e que apresenta excelentes resultados.

    Uma dor aguda no escroto ou nos testículos é uma emergência médica. No caso de inchaço do escroto acompanhado de dores fortes um médico deve ser consultado imediatamente.

    As complicações podem derivar do tratamento da hidrocele. Os riscos relacionados com a cirurgia da hidrocele são os seguintes:

    • Aparecimento de coágulos de sangue.
    • Infecção.
    • Lesão do tecido ou estruturas do escroto.

    Os ricos relacionados com a aspiração são:

    • Fibroses.
    • Infecção.
    • Dor leve ou moderada da área do escroto.
    • Reaparecimento da hidrocele.

    Uma hidrocele testicular normalmente não afecta a fertilidade do homem mas pode ser um sintoma de outros factos que podem ter repercussões na fertilidade do mesmo.

  • Vasectomia e Gravidez: ser pai depois de uma vasectomia

    Vasectomia e Gravidez: ser pai depois de uma vasectomia

    A vasectomia é um procedimento de esterilização masculina que consiste em cortar ou selar os canais deferentes do homem para que os espermatozóides não se possam unir ao sémen. Esta operação dura cerca de 20 minutos e é feita sob anestesia geral ou local. Depois da cirurgia o homem continua a produzir espermatozóides mas não os absorve. A eficácia deste procedimento não é imediata e o homem tem de ejacular várias vezes para esvaziar os canais condutores.

    A decisão de fazer uma vasectomia não deve ser tomada de ânimo leve. Quando um homem decide faze-lo deve estar seguro de que não quer ter mais filhos. Contudo, por diferentes circunstâncias da vida, é possível que o homem queira vir a ser pai depois de se ter submetido à esta operação.

    Reversão da vasectomia e gravidez

    Os avanços médicos são importantes mas, apesar do processo de reversão ter êxito não é certo que o homem possa conceber um filho. Existem duas técnicas cirúrgicas para reverter uma vasectomia: a epidimostomia e a vasovasostomia. O objectivo destas técnicas é conseguir que o sémen ejaculado volte a conter espermatozóides.

    – A vasovasostomia é a técnica mais utilizada e que tem uma percentagem de êxito mais elevada. Consiste na unificação dos canais deferentes e a sua duração é de aproximadamente duas horas. A probabilidade de gravidez depois desta intervenção é de aproximadamente 64%.

    – A epidimostomia é uma intervenção mais complexa. Apenas é realizada quando a vasovasostomia não surte efeitos, possivelmente devido a um bloqueio dos canais deferentes. A duração desta cirurgia é de cerca de cinco horas e a probabilidade do homem conseguir engravidar a sua parceira depois da sua realização é de 40%.

    Paternidade e vasectomia

    Gravidez por meio de técnicas de reprodução assistida

    Para aqueles homens que não desejam submeter-se a uma reversão da vasectomia mas que querem ser pais existem outras opções, nomeadamente, técnicas de reprodução assistida como:

    Aspiração testicular de esperma. Esta técnica é feita num quirofano e consiste na extração do esperma do epidídimo dos testículos. Posteriormente, em laboratório, detectam-se os espermatozóides que são microinjectados nos óvulos (um espermatozóide por óvulo). Os embriões viáveis obtidos são transferidos para o útero da parceira do homem que fez a vasectomia.

    Esta técnica é muito utilizada e a probabilidade de conseguir uma gravidez encontra-se entre os 33% e os 40%. Esta técnica evita, ainda, que, após o nascimento de um filho, seja necessário fazer uma nova vasectomia.

    Banco de esperma. Posto que, antes da vasectomia, o homem decidiu congelar o seu esperma esse pode ser utilizado na técnica de inseminação artificial ou de fertilização in vitro em função da qualidade do sémen.

    Vasectomia e Paternidade

    Se as técnicas cirúrgicas e de reprodução assistida falharem, é possível utilizar o sémen de um dador como uma última opção para aqueles casais que desejam ter filhos.

    Como em qualquer operação, a vasectomia e a sua reversão têm alguns riscos. Estas técnicas, bem como as de reprodução assistida, têm custos monetários e demoram algum tempo, logo, há que estar informado e estar seguro antes de tomar a decisão de fazer uma vasectomia ou de reverte-la.

  • Salpingite ou Inflamação das Trompas de Falópio

    Salpingite ou Inflamação das Trompas de Falópio

    A salpingite é a inflamação das trompas de Falópio e pode ser uma das causas da esterilidade de origem tubária na mulher.

    A salpingite é definida como a inflamação de uma ou de ambas as trompas de Falópio. Esta inflamação costuma ser, em 60% dos casos, bilateral, isto é, afecta ambas as trompas. Geralmente afecta mulheres em idade fértil entre os 15 e os 24 anos de idade e a sua incidência é maior em mulheres sexualmente activas porque uma das causas mais comuns desta inflamação são as infecções genitais, sobretudo de transmissão sexual. 40% dessas infecções genitais evoluem e transformam-se numa salpingite.

    É possível diferenciar entre dois tipos de salpingite:

    • A salpingite aguda é a que apresenta sintomas mais severos (febre; dor aguda na parte de baixo do abdómen, etc).
    • A salpingite crónica pode passar despercebida e apenas manifestar-se depois do período de menstruação.

    A salpingite é, também, conhecida como Doença Inflamatória Pélvica (DIP) apesar de esta doença referir-se a infecções em toda a área genital superior, isto é, nas trompas, no útero e nos ovários.

    Esta doença causa inflamações nas estruturas pélvicas, no útero, nos ovários e nas trompas de Falópio e cria um obstáculo mecânico à passagem do embrião até ao útero. Assim, em 50% dos casos de gravidezes ectópicas existe um historial de DIP. Esta doença pode, ainda, ser causadora de esterilidade de origem tubária ou tubariana, uma vez que impede que os espermatozóides cheguem ao óvulo.

    Inflamação das Trompas de Falópio

    Causas da salpingite

    A salpingite é causada por uma infecção de transmissão sexual provocada, na maior parte dos casos, por um tipo de clamídia, a Chlamydia trachomatis, que começa a desenvolver-se na vagina e, posteriormente, ascende até ao restante aparelho reprodutor feminino.

    Outros patogénicos transmitidos por via sexual e que podem causar este tipo de inflamação são o gonococo em 5% dos casos e o micoplasma em um maior número de casos.

    A salpingite manifesta-se no tempo de forma variável. Pode manifestar-se dois dias depois do contacto com o agente patogénico ou apenas 3 semanas ou, inclusivamente, meses depois desse contacto.

    Factores de risco da salpingite

    • Parceiro masculino com infecção genital.
    • Cirurgia pélvica prévia.
    • Utilização do dispositivo intra-uterino como método anticonceptivo.
    • Antecedentes de doença inflamatória pélvica (EPI).
    • Múltiplos parceiros sexuais.

    Sintomas da salpingite

    Os sintomas desta doença podem variar segundo o agente patogénico que a provoca mas a dor na zona pélvica é um dos sintomas mais característicos.

    Outros sintomas que se podem manifestar são:

    • Dor ou cãibras na zona pélvica.
    • Dor durante a ovulação.
    • Relações sexuais dolorosas.
    • Febre.
    • Náuseas e vómitos.
    • Sangramentos menstruais irregulares.
    • Dor ao urinar e vontade de o fazer com mais frequência.
    • Vaginite.
    • Secreção vaginal anormal com corrimento espesso.
    • Dor abdominal em ambos os lados.

    Trompa de Falópio

    Diagnóstico da salpingite

    Antes do diagnóstico de salpingite é necessário realizar um exame físico e pélvico para detectar a existência de uma inflamação. Análises de sangue e cultura de secreções vaginais são, também, feitas para detectar o patogénico responsável pela infecção.

    Geralmente, se o diagnóstico é feito cedo, a inflamação diminui com medicação. Por sua vez, um diagnóstico tardio pode criar complicações graves que pressupõem um tratamento mais agressivo que prolonga as dores e mal-estar das pacientes.

    O ideal é que a própria mulher seja capaz de reconhecer que tem uma inflamação e contactar um médico para que esse faça um diagnóstico o mais rapidamente possível.

    Tratamento da salpingite

    O tratamento baseia-se na administração de medicação a base de antibióticos e anti-inflamatórios para a dor. Nos casos mais graves a paciente pode ter de ser hospitalizada. Ao parceiro da paciente devem, também, ser prescritos antibióticos.

    Em alguns casos uma cirurgia de drenagem pode ser necessária. Isto apenas acontece nos casos em que a infecção gera um abscesso pélvico com acumulação de pus.

    É aconselhável que a mulher não tenha relações sexuais não protegidas durante todo o tratamento.

    Complicações da salpingite

    Algumas das complicações que podem aparecer associadas à salpingite são:

    • Dor pélvica crónica.
    • Esterilidade de origem tubária.
    • Gravidez ectópica.
    • Doença inflamatória da pélvis.
    • A infecção pode criar um abscesso pélvico
    • Septicemia ou infecção generalizada.
  • Análise da Quantidade de Leucócitos no Esperma

    Análise da Quantidade de Leucócitos no Esperma

    A quantidade de leucócitos no esperma é avaliada através de um espermograma e a sua contagem é feita por milímetros de sémen.

    Valores iguais ou inferiores a 1 milhão de leucócitos por mililitro de esperma é considerado normal. A alteração na qual os valores superam os 10 milhões de leucócitos por mililitro é denominada de prospermia.

    A presença de leucócitos no esperma é um reflexo de uma infecção que pode dar origem a uma esterilidade temporal que tem de ser tratada para que não se torne permanente.

    Analíses dos leucócitos no esperma

    Quando valores superiores a 1 milhão de leucócitos/ml são detectados é feito um estudo bacteriológico que consiste na cultura do esperma.

    A cultura do esperma consiste em analisar o esperma ou sémen em busca de infecções causadas por bactérias, fungos, etc. Os diferentes tipos de cultura são:

    • Ágar Sangue
    • Ágar Chocolate
    • Ágar EMB

    As amostras são incubadas na temperatura adequada para cada método e uma observação e contagem das colónias de leucócitos é feita posteriormente. A cor da colónia é indicativa do microorganismo que a forma.

    Tinções e a observação por microscópio das colónias podem ser feitas com o objectivo de determinar qual o microorganismo causador do número elevado de leucócitos. Bactérias como a Escherichia coli, Klebsiella pneumonia, Proteus mirabilis, Pseudomona aeruginosa, Staphilococcus aureus, etc, podem ser encontradas.

    As bactérias podem aninhar-se em qualquer dos órgãos do sistema reprodutor masculino como os testículos ou próstata.

    Se algum organismo for detectado o especialista indicará um tratamento capaz de erradicar a infecção.

  • Criptorquia

    Criptorquia

    A criptorquia ou criptorquidia é uma anomalia congénita caracterizada pela incorrecta descida de um ou ambos os testículos durante o desenvolvimento do feto.

    Os testículos permanecem na cavidade abdominal ou no canal inguinal e não descem até ao escroto, lugar onde deveriam estar no momento do nascimento do bebé de sexo masculino.

    Esta anomalia é muito comum em bebés prematuros, afectando entre 20% e 30% desses e apenas 3% ou 4% dos bebés que não são prematuros. Em 80% dos casos a criptorquia é unilateral, isto é, afecta apenas um testículo, mais frequentemente o esquerdo. Os casos de criptorquia bilateral sao menos comuns.

    Criptorquia

    Na maioria dos casos a descida do testículo acontecerá de forma espontânea entre os 6 e os 12 primeiros meses de vida do bebé.

    A criptorquia é uma anomalia assintomática. O paciente apenas notará que a sua bolsa escrotal está vazia.

    Causas da criptorquia

    A criptorquia ou testículo oculto pode ser originada por:

    • Uma anomalia anatómica, como una anomalia de Gubernaculum (um ligamento do epidídimo onde está inserido o testículo).
    • Um obstáculo mecânico encontrado durante a migração do testículo. Os vasos ou nervos do esperma ou o canal inguinal são muito estreitos.
    • Uma obstrução do orifício do escroto.
    • Defeito ou insuficiência hormonal. Para que aparelho reprodutor se desenvolva correctamente são necessárias gonadotrofinas.
    • Falta de pressão abdominal.
    • Causas genéticas: Síndrome de Prader-Willi, síndrome de Kallman, etc.

    Diagnóstico da criptorquia

    O diagnóstico geralmente é feito por palpação da bolsa do escroto, da zona abdominal e do canal inguinal em busca dos testículos. Este exame físico é feito no momento do nascimento da criança ou nas consultas de rotinas.

    Em 15% dos casos é difícil localizar os testículos e há que realizar um exame complementar como uma ecografia abdominal. Se, após este exame, os testículos não são localizados é possível recorrer a outros exames como:

    • Ultra-som.
    • TAC.
    • Ressonância magnética.

    Se, mesmo após estes exames, não for possível localizar os testículos será necessário fazer uma cirurgia por laparoscopia. Esta cirurgia é, normalmente, feita entre o primeiro e o segundo ano de vida do bebé, a não ser que a criptorquia esteja associada a uma hérnia e que a intervenção tenha de ser mais temprana.

    Riscos e complicações da criptorquia

    Os principais riscos e complicações que derivam da criptorquia são:

    • Esterilidade. Para que haja uma correcta produção de espermatozóides os testículos devem estar a uma temperatura inferior a temperatura corporal. É por isso que os testículos estão localizados na bolsa do escroto, a uma temperatura de 33ºC. Uma temperatura maior pode provocar a morte das células.
    • Cancro do testículo. As pessoas que padeceram de uma criptorquia apresentam um risco maior de desenvolvimento de tumores no testículo ou por atrofia ou por desequilíbrio hormonal.
    • Hérnia inguinal. Pode desenvolver-se em 65% dos casos.
    • Menor tamanho testicular. Devido a esta anomalia o testículo não cresce de forma natural.
    • Torção testicular. Os cordões espermáticos destas crianças podem torcer e interromper o fornecimento de sangue ao testículo.
    • Efeitos psicológicos no homem adulto.

    Efeitos psicologicos no homen

    Tratamento da criptorquia

    Se o testículo não descende de forma espontânea durante os 12 primeiros meses de vida da criança, há que recorrer a um tratamento para evitar lesões futuras.

    Existe um tratamento médico com hormonas, beta HCG ou testosterona, que estimula a descida mas que é cada vez menos utilizado devido aos seus efeitos secundários.

    A cirurgia orquiopexia é o tratamento mais utilizado e o mais eficaz. Esta cirurgia é, normalmente, realizada antes dos dois anos de idade.

    Existem vários estudos sobre a relação da cirurgia com a fertilidade posterior e com o risco de desenvolvimento de algum tumor testicular. Em ambos os casos, as cirurgias que foram feitas numa idade mais precoce apresentaram um melhor prognóstico de recuperação do volume testicular, bem como um menor risco de cancro.

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