Categoria: Reprodução Assistida

  • Êxito da Doação de Óvulos

    Êxito da Doação de Óvulos

    Historia e evolução da doação de óvulos

    A primeira gestação através de um óvulo doado foi conseguida pelo Dr. Alen Trounson. Contudo, foi o Dr. Lutjen que, no ano de 1984, conseguiu, pela primeira vez, que uma mulher com falha ovárica conseguisse levar uma gravidez ao seu correcto termino graças à doação de óvulos. Sem esta técnica esta mulher não poderia ter sido mãe.

    Todas as técnicas de reprodução assistida são relativamente recentes, sendo a doação de óvulos a que mais recentemente começou a ser utilizada. No início a sua utilização era feita de forma tímida, ocupando “muito pouco espaço” dentro de cada clínica de reprodução, já que, as implicações morais deste processo podem ser de difícil aceitação.

    Contudo, com o passar do tempo, com as mudanças de mentalidade e com a incorporação da mulher na vida laboral, a maternidade foi relegada para segundo plano e a técnica de doação de óvulos foi ganhando importância. Actualmente, é uma das técnicas mais utilizadas no âmbito da reprodução assistida.

    Esta técnica sofreu grandes e incríveis alterações, sendo tão utilizada quanto a FIV e ICSI, por exemplo. No futuro, é provável que esta técnica venha a ultrapassar as restantes, dado que as mulheres decidem ser mães pela primeira vez cada vez mais tarde.

    Probabilidade de gestação por doação de óvulos

    As taxas de êxito da doação de óvulos são muito boas, partindo dos 60% no primeiro ciclo e podendo alcançar 90% nas tentativas seguintes. Isto deve-se, entre outras razões, ao facto de a idade das dadores nunca superar os 35 anos de idade. Inclusivamente, alguns centros e clínicas de reprodução optam por restringir um pouco mais essa idade para conseguirem melhores resultados.

    Por esta razão, e apesar de ser um procedimento duro do ponto de vista psicológico, este é um processo que vale a pena pois as suas taxas de êxito superam as das técnicas in vitro.

    Isto não quer dizer que quando uma paciente decide submeter-se a um tratamento de reprodução assistida deve pedir logo uma doação de óvulos. Cada caso deve ser estudado individualmente e a patologia deve ser diagnosticada antes da escolha do tratamento mais adequado. Depois de saber quais os problemas de fertilidade que afectam os pacientes será mais fácil para os médicos recomendarem o tratamento de reprodução mais idóneo.

  • Azoospermia

    Azoospermia

    Existem muitos casais que, depois de um ano mantendo relações sexuais sem protecção, não conseguem ter filhos. Em 30% dos casos isto deve-se a um problema exclusivamente masculino e em 20% a um problema de causa mista.

    Para comprovar a fertilidade masculina o exame mais habitual é o espermograma. No âmbito deste exame uma amostra de sémen ejaculado do homem é recolhida e examinada em laboratório para que o número de espermatozóides possa ser contado e o seu estado analisado.

    Definição e diagnóstico de azoospermia

    Azoospermia é definida como a ausência de espermatozóides no ejaculado. Calcula-se que, dentro dos problemas de infertilidade masculina, a azoospermia manifesta-se em entre 3 e 10% dos casos.

    A azoospermia é um transtorno que não apresenta sintomas para o homem, logo, para ser diagnosticada é necessário determinar os níveis de hormona FSH. Esta hormona é produzida no cérebro e é a responsável pela espermatogénese (formação dos espermatozóides) nos testículos. Se os valores desta hormona são elevados significa que há uma diminuição ou ausência de células mães dos espermatozóides. A análise da concentração de testosterona também é recomendada.

    Azoospermia

    Existem dois tipos de azoospermia, a azoospermia secretora na qual os testículos não são capazes de produzir espermatozóides e a azoospermia obstrutiva, na qual existem espermatozóides que, devido a uma obstrução dos canais deferentes, não são expulsos no ejaculado.

    Para determinar o tipo de azoospermia é necessário realizar uma biopsia testicular que consiste em recolher um pequeno fragmento de cada testículo para que seja possível confirmar se o testículo produz (azoospermia obstrutiva) ou não (azoospermia secretora) espermatozóides.

    Azoospermia secretora

    A azoospermia secretora ou não obstrutiva é a mais severa e frequente (70% dos casos de azoospermia). Pode ser congénita (desde o nascimento) ou adquirida (doença ou tratamento com fármacos tóxicos) e as suas causas mais comuns são:

    • Anomalias na descida dos testículos.
    • Exposição à substâncias tóxicas: fármacos, radioterapia e quimioterapia.
    • Transtornos genéticos.
    • Alterações hormonais.
    • Problemas nos testículos: traumatismos, inflamações, varicocele severa, etc.

    A recuperação de espermatozóides nos casos de azoospermia secretora é complicada pois os espermatozóides não são gerados. Contudo, é possível conseguir uma gravidez. Em alguns pacientes com este tipo de infertilidade masculina foram encontradas pequenas concentrações de espermatozóides nos testículos através de pequenas biopsias testiculares. Assim, se forem encontrados espermatozóides esses são congelados e utilizados numa técnica de ICSI.

    Imagem de Azoospermia secretora

    Azoospermia obstrutiva

    A Azoospermia obstrutiva deve-se a um problema nos canais que transportam os espermatozóides desde os testículos até a uretra, onde é produzido o ejaculado. As causas mais comuns deste tipo de azoospermia são:

    • Ausência de canais deferentes (quer seja desde o nascimento ou devido a uma intervenção cirúrgica).
    • Inflamações ou traumatismos dos testículos, epidídimo, canais deferentes ou próstata.

    É mais fácil obter espermatozóides neste tipo de azoospermia. Em determinados casos esta alteração pode ser reversível e, com diversas técnicas de microcirurgia, é possível tentar desobstruir ou unir os canais para que os espermatozóides possam ser encontrados no sémen. Nos casos em que isto não é possível, procede-se a recolha dos espermatozóides nos testículos através de uma biopsia testicular. Costuma ser necessária apenas uma biopsia, já que, a espermatogénese é feita de forma natural.

    Imagem de Azoospermia obstructiva

    Azoospermia e varicocele

    A relação entre azoospermia e varicocele é bastante comum. 5% dos casos de varicocele transformam-se em azoospermia. Contudo, para que isto aconteça a varicocele tem de ser muito severa.

    Azoospermia e varicocela

    A varicocele é definida como a dilatação das veias que formam o cordão espermático e que afectam directamente a espermatogénese, isto é, a produção de espermatozóides.

    Em pacientes azoospérmicos secretores que corrigiram a sua varicocele a recuperação do tecido testicular pode ser de até 50% e da mobilidade do esperma no ejaculado de 55%.

  • Aceitar uma FIV negativa

    Aceitar uma FIV negativa

    É complicado saber lidar com o resultado negativo de um teste de gravidez, especialmente no caso de mulheres que querem ser mães e estão em tratamento de fertilidade.

    Antes de iniciar o tratamento de fertilização in vitro, os pacientes devem estar certos que são capazes de suportar o stress gerado pelo tratamento bem como qualquer dos seus resultados.

    Após a transferência de embriões é necessário esperar pelo menos 15 dias até que um teste de gravidez possa ser feito. Se o teste é feito antes do tempo pode ter um resultado falso. Alias, os especialistas aconselham a não fazer um teste de gravidez em casa mas sim esperar pelos resultados das análises de sangue feitas na própria clínica.

    Mulher triste

    Se o resultado da hormona HCG (hormona mediante a qual uma gravidez é comprovada) é negativo, a mulher não está gravida. As probabilidades desse resultado serem um erro são praticamente nulas, logo, há que aceitar que o tratamento não surtiu resultados positivos. A mulher tem de aceitar que não está gravida.

    Mulher com esperança

    Porque é que o teste de gravidez é negativo?

    As pacientes não devem torturar-se com perguntas que não têm resposta como: que fiz?, que não fiz?, como pode correr mal? que faltou? Essas perguntas não ajudam e só geram tristeza.

    Se necessário, chorar faz bem pois ajuda a não reprimir as emoções. Ademais, partilhar os sentimentos pode ajudar a assimilar melhor o resultado negativo. No caso de a mulher ter informado os seus familiares e amigos de que está a fazer um tratamento de reprodução assistida, é recomendável relembrar essas pessoas de que a mulher os informará sobre os resultados do tratamento quando estiver pronta para o fazer. Desta forma evitam-se perguntas incómodas e situações constrangedoras.

    O fracasso de um tratamento não significa que a mulher ou casal nunca conseguirá ter um filho. É possível fazer um novo ciclo de FIV ou de outra técnica de reprodução assistida quando a mulher se sentir preparada.

    Ajuda psicológica

    A grande maioria dos centros de reprodução contam com um departamento de especialiastas em psicológia da reprodução assistida dispostos a ajudar os pacientes, nao só a aceitar os seus problemas de fertilidade, mas também a lidar com todo o preocesso de concepcção.

    Quando o teste de gravidez é negativo, sao muitos os sentimentos que afloran e a frustraçao pode aumentar. Neste aspecto, contar com o apoio psicológico de especialistas que entedem aquilo pelo que o paciente está a passar e que oferecem ajuda personalizada, é muito importante e pode reduzir os sentimentos de angústia.

    Para além disto, esta ajuda é importante no momento de enfrentar um novo tratamento. Submeter-se a um novo tratamento reproductivo depois do falhanço do anterior é muito complicado. O apoio psicológico é essencial, já que, a atitude é importante para o êxito do tratamento.

  • Hipospermia

    Hipospermia

    A hipospermia é uma alteração do esperma do homem na qual o volume de sémen ejaculado é inferior a 1.5 mililitros.

    O volume de sémen ejaculado é considerado normal quando é de entre 1.5 e 6 mililitros.

    A prova que se realiza para diagnosticar uma hipospermia é denominada de espermograma.

    A hipospermia é causa por, por exemplo:

    • Ejaculação retrograda parcial.
    • Ausência de canais deferentes.
    • Obstrução dos condutores ejaculadores.
    • Insuficiência androgénica.
    • Simpatectomia.
    • Cirurgia do colo vesicular.

    Amostra de sémen

    A ausência de ejaculado é apelidada de aspermia.

    Quando um homem deseja ter filhos e, após mais de um ano de relações sexuais continuas e sem protecção, a sua parceira não engravida, é recomendado recorrer a inseminação artificial nos casos em que a quantidade de espermatozóides é suficiente e a sua mobilidade é adequada. Em caso contrário, a fertilização in vitro é aconselhável.

  • Implantação Embrionária

    Implantação Embrionária

    Conhecer a razão pela qual alguns embriões implantam e outros não é um dos desafios que a medicina reprodutiva ainda tem de ultrapassar. O conhecimento aprofundado dos aspectos fisiológicos deste processo é importante para desenhar estratégias que permitam aumentar as possibilidades de gravidez.

    Apenas um terço dos ciclos considerados férteis culminam numa gravidez. A causa desta baixa taxa de êxito são diversos factores como a existência de um ambiente uterino inapropriado, a má qualidade embrionária, a baixa receptividade do endométrio, etc.

    Diálogo entre embrião e endométrio

    A taxa de gestação clínica por ciclo menstrual em casais considerados férteis e que mantêm relações sexuais regularmente e sem anticonceptivos é de 25-30%. Esta taxa é relativamente baixa em comparação com outras espécies animais apesar de ser acumulativa, isto é, aumenta de mês a mês podendo alcançar 80% depois de 10 meses. Contudo, esta taxa diminui com a idade da mulher.

    Durante anos o tratamento da implantação estava limitado a utilização de protocolos de suporte da fase lútea através da administração de progesterona e HCG (gonadotrofina). Actualmente, diversos estudos clínicos permitiram conhecer o papel que desempenham na implantação as diferentes populações de células do útero bem como algumas moléculas.

    Existem evidencias de que as moléculas citoquinas e os factores de crescimento desempenham um papel importante como mediadores locais das acções das hormonas sobre o endométrio com o objectivo de prepará-lo para a implantação. Acredita-se que sinais emitidos pelo embrião pré-implantado podem induzir a produção de citoquinas pelo endométrio que, por sua vez e mediante a sua união com receptores específicos de membrana, podem activar a expressão de moléculas de adesão, encarregues de medir a adesão do blastocisto ao endométrio.

    Biologicamente, trata-se de um processo complexo onde um embrião em estado de blastocisto fixa-se ao endométrio receptivo da mãe. Deve existir uma total sincronia entre o embrião e o endométrio.

    A implantação acontece no útero durante um período de tempo concreto. Esse período de tempo é denominado de janela de implantação e vai desde o 20º dia do ciclo até ao 24º (cerca de 6 ou 7 dias depois da fertilização).

    A janela de implantação é o momento quando o endométrio receptivo permite a fixação do blastocisto. Esta mudança de endométrio não receptivo para receptivo apenas ocorre se o ambiente hormonal for o correcto e se o blastocisto tiver as moléculas adequadas.

    A implantação é composta por três fases: posicionamento, adesão ou fixação e invasão.

    – Fase de posicionamento. O blastocisto procura por um lugar de implantação, isto é, um lugar onde fixar-se.

    – Fase de adesão. O blastocisto fixa-se no endométrio. Isto acontece 6 ou 7 dias depois da fertilização, tendo o blastocisto um diâmetro de 300-400 µm. Em todo este processo as citoquinas têm muito que fazer.

    – Fase de invasão. O blastocisto invade o endométrio, rompe a membrana basal e penetra nos vasos sanguíneos maternos.

    Apesar do processo de implantação parecer, a primeira vista, simples, tem uma complexidade que ainda não é totalmente conhecida. Dentro da fertilização in vitro a implantação é um dos momentos mais delicados e decisivos para o êxito de uma gravidez e que, por não poder ser controlado externamente, depende das circunstâncias que rodeiam a paciente como a qualidade embrionária, a receptividade endometrial, o momento da transferência e a existência de uma total sincronia entre todos esses factores.

  • Inseminañçao Artificial Caseira

    Inseminañçao Artificial Caseira

    Uma inseminaçao artificial (IA) caseira é uma auto-inseminação realizada a nível vaginal. O esperma é libertado no fundo da vagina como numa relação sexual normal. Pode ser feita em casa, seguindo simples instruções e usando os instrumentos adequados. A IA caseira é muito comum em mulheres que decidem ser mães solteiras, em casais lésbicos e em homens que têm problemas de ejaculação na vagina devido a uma disfunção eréctil ou ejaculação retrógrada.

    Aqui explicaremos o processo paso a paso:

    IA em casa

    Como fazer uma inseminação artificial caseira?

    A técnica é bastante simples e económica e o material necessário é vendido em farmácias.

    • Seringa estéril de 2 a 5 ml,sem agulha. As seringas que incluem uma cánula são melhores porque aumentam o seu comprimento.
    • Luvas de vinil.
    • Recipiente para a amostra.
    • Soro fisiológico que facilita a sucção do sémen.

    Uma vez tenhamos o necessário, podemos começar com o protocolo de actuação:

    • Após calçar as luvas, o sémen do parceiro ou dador deve ser depositado no recipiente para esse fim.
    • Para facilitar a sucção do sémen, é possível adicionar um pouco de soro ao sémen para que este fique um pouco mais fluído. O soro deve estar a mesma temperatura que o corpo humano (36-37ºC).
    • Sucção do sémen com a seringa.
    • A receptora deve deitar-se na mesma posição que no genecologista, com as pernas abertas.
    • A seringa deve ser introduzida, com cuidado, na vagina e o seu conteúdo deve ser esvaziado. Este paso deve ser realizado lentamente para não haver arranhões e será mais fácil de realizar com ajuda.
    • Depois, é aconselhável succionar com a seringa um pouco de soro e voltar a repetir o paso anterior. Deste modo os espermatozóides que ficaram na seringa serão, também, introduzidos na vagina.
    • Posteriormente, a mulher deve permanecer deitada na mesma posição durante cerca de meia hora e depois pode continuar com a sua vida normal.

    Para aumentar as probabilidades de êxito desta técnica a auto-inseminação deve ser feita quando o ciclo menstrual da mulher está a meio, isto é, quando a mulher está a ovular.

    Material para inseminação artificial caseira

    Eficâcia da inseminação artificial caseira

    A inseminação artificial caseira está incluida pela Organização Mundial de Saúde nas técnicas de fertilização in vitro, mas como não requer a presença de uma profissional qualificado não é considerada uma intervenção ou técnica médica. Ademais, ao ser realizada na esfera privada, não existem estudos sobre a taxas de êxito desta técnica de reprodução assistida.

    Quando existem problemas de fertilidade severos este procedimento não é recomendável já que os tratamentos de reprodução realizados pelas clínicas sofreram grandes avanços nos últimos anos e, nesses casos, as mulheres são submetidas a uma estimulação ovárica que faz com que a probabilidade de engravidar dessas mulheres aumente. Além disso, nas clínicas, o sémen é capacitado artificialmente para facilitar a sua chegada ao óvulo.

    A sua eficacia é similar à de manter realações sexuais sem proteção ou até menor devido ao transporte e manipulação do sémen desde que é ejaculado. Se o transporte e manipulação do sémen não são feitos de forma correcta a sua qualidade pode deteriorar-se. O esperma não é considerado viável quando está fora do homem por mais de três horas.

  • Qualidade embrionária

    Qualidade embrionária

    Na maioria das técnicas de reprodução assistida a fertilização é feita fora do corpo da mulher (com a excepção da inseminação artificial) e, posteriormente, a transferência dos embriões é levada a cabo.

    De forma a eleger e transferir apenas os melhores embriões os especialistas baseiam-se numa série de critérios que ajudam a determinar a qualidade dos mesmos.

    Enquanto os embriões estão a ser cultivados, a sua qualidade é observada através de um microscópio. A avaliação da qualidade embrionária implica a observação da morfologia dos embriões e da forma como evoluem.

    Morfologia dos embriões:

    • Grau I:

    As células do blastómero do embrião são iguais em tamanho e não estão fragmentadas. A sua textura é lisa e a sua cor é clara. Não existem células do blastómero com mais de um núcleo.

    Embrião de grau I

    • Grau II:

    Existem fragmentações, apesar de escassas (em menos de 15% do embrião) ou as células são pouco simétricas.

    Embrião de Grau II

    • Grau III:

    A fragmentação ocupa entre 10 e 40% do embrião, as células do blastómero são asimétricas e o embrião tem um aspecto rugoso.

    Embrião grau III

    • Grau IV:

    A fragmentação é superior a 40%. O embrião tem uma cor escura e um aspecto rugoso.

    Embrião de grau IV

    • Grau V:

    O embrião está completamente fragmentado e a sua cor é escura.

    Embrião de grau V

    Os embriões de grau I e II são embriões de boa qualidade.

    Os embriões de grau III possuem uma qualidade regular e podem dar origem a uma gravidez. A qualidade está relacionada com o bom desenvolvimento do embrião e com a sua capacidade de se fixar no endométrio da futura mãe e não implica uma alteração genética no embrião. Os embriões de grau IV têm um diagnóstico um pouco pior.

    Os embriões de grau V não são transferidos para o útero materno. Estes embriões ficam em observação, sendo que quase todos deixam de evoluir e não sobrevivem.

    No que toca a morfologia dos embriões, os seguintes aspectos são tidos em conta: espessura da zona pelúcida, existência de vacúolos no citoplasma, a adesão entre as células do blastómero e a presença de um anel citoplásmico.

    Se a zona pelúcida é especialmente grossa, a transferência embrionária pode ser feita antes da técnica de realização da eclosão assistida para facilitar a saída da massa celular interna.

    Qualidade embrionária

    O desenvolvimento do embrião é um outro indicador da qualidade embrionária.

    Este critério pode ser generalizado do seguinte modo: quanto maior for o número de células maior serão as probabilidades de implantação no útero materno. A regra de um máximo de 4 células dois dias depois da fertilização e de 8 células em embriões de três dias deve ser sempre seguida.

    Os embriões com uma divisão mais rápida que o normal não têm um bom prognóstico e costumam apresentar um risco de anomalia genética mais elevado.

  • Capacitação de Espermatozóides

    Capacitação de Espermatozóides

    A capacitação de espermatozóides é um processo que ocorre de forma natural nos espermatozóides e que lhes permite ter a capacidade de fertilizar o óvulo.

    Assim que o espermatozóide é ejaculado é incapaz de penetrar a espessa membrana do óvulo e necessita sofrer uma serie de alterações estruturais. Essas alterações ocorrem no interior do aparelho reprodutivo feminino.

    Nos tratamentos de reprodução assistida que requerem a capacitação dos espermatozóides, como é o caso da inseminação artificial e da FIV, a capacitação pode ser feita em laboratório.

    A capacitação pode, também, ser utilizada no âmbito de um diagnóstico da capacidade dos espermatozóides fertilizarem o óvulo.

    Capacidade do esperma

    Para que a capacitação dos espermatozóides possas ser feita é necessário processar uma amostra de sémen em laboratório através de técnicas como a swim-up e os gradientes de densidade.

    Os espermatozóides separam-se do líquido seminal e são agrupados em função da sua mobilidade e morfologia. Assim, é possível escolher apenas os espermatozóides aptos para a fertilização.

    Os resultados da capacitação são apresentados em termos da quantidade de espermatozóides moveis e com trajectórias rectilíneas por milímetro de sémen ejaculado. Isto é conhecido como contagem de espermatozóides móveis.

    Contagem de espermatozóides móveis

    A partir dos resultados obtidos pelo espermograma e pela capacitação dos espermatozóides é feito um diagnóstico e uma técnica de reprodução assistida é aconselhada da seguinte forma:

    • No caso de uma contagem superior a 3 milhões de espermatozóides móveis por ml de sémen deve-se recorrer à inseminação artificial.
    • No caso de uma contagem superior a 1 milhão de espermatozóides móveis por ml de sémen mas inferior a 3 milhões deve-se optar por uma fertilização in vitro convencional.
    • No caso de uma contagem inferior a 1 milhão de espermatozóides móveis por ml de sémen, uma microinjecção intracitoplásmica de espermatozóides é aconselhada (ICSI).
  • Problemas da Inseminação Artificial

    Problemas da Inseminação Artificial

    Apesar da inseminação artificial ser uma técnica segura e apesar das clínicas de reprodução assistida esforçarem-se cada vez mais para melhorar os protocolos de segurança, podem acontecer algumas complicações.

    Riscos da técnica

    Os riscos que derivam da inseminação artificial são os seguintes:

    • Infecções.
    • Alergias. Apesar das probabilidades serem mínimas, algum tipo de alergia pode desenvolver-se devido aos componentes com que o sémen é lavado. É possível que este seja o inconveniente que menos vezes afecta as pacientes.
    • Reacções imunológicas. Criação de anticorpos anti espermatozóides. Este tipo de reacções apenas acontece em mulheres que já tinham um historial de existência de anticorpos anti espermatozóides. A probabilidade deste inconveniente é de menos de 5%.

    Riscos da estimulação ovárica

    Os principais riscos associados a inseminação derivam da estimulação ovárica a qual a mulher tem de se submeter. Estes riscos são os seguintes:

    • Síndrome da hiperestimulação ovárica. Na inseminação artificial este risco é mínimo e é rapidamente resolvido através do cancelamento do ciclo de inseminação.
    • Gestações múltiplas. Estas gestações ocorrem entre 12% e 30% dos casos, sendo mais frequentes em mulheres jovens com mais de 5 folículos ováricos maiores de 16mm e inseminadas com mais de 30 milhões de espermatozóides.

    Ovário com síndrome de hiperestimulação

    Riscos da gravidez

    As complicações na gravidez podem incluir:

    • Aborto natural. Calcula-se que este tipo de aborto aconteça entre 20% e 22% dos casos. A maior parte dos abortos espontâneos ocorrem nas primeiras semanas de gravidez.
    • Uma gravidez ectópica. A estatística diz que 4 mulheres em cada 100 submetidas a um tratamento de inseminação artificial podem ter uma gravidez ectópica. Na inseminação natural a probabilidade disso acontecer é de 0,8%. Como vemos, as probabilidades deste problema manifestarem-se são baixas.

    Gravidez ectópica

    • Gestações múltiplas produzidos de forma natural. Acontece, em parte, devido a estimulação do ciclo menstrual.
  • Vasectomia e Gravidez: ser pai depois de uma vasectomia

    Vasectomia e Gravidez: ser pai depois de uma vasectomia

    A vasectomia é um procedimento de esterilização masculina que consiste em cortar ou selar os canais deferentes do homem para que os espermatozóides não se possam unir ao sémen. Esta operação dura cerca de 20 minutos e é feita sob anestesia geral ou local. Depois da cirurgia o homem continua a produzir espermatozóides mas não os absorve. A eficácia deste procedimento não é imediata e o homem tem de ejacular várias vezes para esvaziar os canais condutores.

    A decisão de fazer uma vasectomia não deve ser tomada de ânimo leve. Quando um homem decide faze-lo deve estar seguro de que não quer ter mais filhos. Contudo, por diferentes circunstâncias da vida, é possível que o homem queira vir a ser pai depois de se ter submetido à esta operação.

    Reversão da vasectomia e gravidez

    Os avanços médicos são importantes mas, apesar do processo de reversão ter êxito não é certo que o homem possa conceber um filho. Existem duas técnicas cirúrgicas para reverter uma vasectomia: a epidimostomia e a vasovasostomia. O objectivo destas técnicas é conseguir que o sémen ejaculado volte a conter espermatozóides.

    – A vasovasostomia é a técnica mais utilizada e que tem uma percentagem de êxito mais elevada. Consiste na unificação dos canais deferentes e a sua duração é de aproximadamente duas horas. A probabilidade de gravidez depois desta intervenção é de aproximadamente 64%.

    – A epidimostomia é uma intervenção mais complexa. Apenas é realizada quando a vasovasostomia não surte efeitos, possivelmente devido a um bloqueio dos canais deferentes. A duração desta cirurgia é de cerca de cinco horas e a probabilidade do homem conseguir engravidar a sua parceira depois da sua realização é de 40%.

    Paternidade e vasectomia

    Gravidez por meio de técnicas de reprodução assistida

    Para aqueles homens que não desejam submeter-se a uma reversão da vasectomia mas que querem ser pais existem outras opções, nomeadamente, técnicas de reprodução assistida como:

    Aspiração testicular de esperma. Esta técnica é feita num quirofano e consiste na extração do esperma do epidídimo dos testículos. Posteriormente, em laboratório, detectam-se os espermatozóides que são microinjectados nos óvulos (um espermatozóide por óvulo). Os embriões viáveis obtidos são transferidos para o útero da parceira do homem que fez a vasectomia.

    Esta técnica é muito utilizada e a probabilidade de conseguir uma gravidez encontra-se entre os 33% e os 40%. Esta técnica evita, ainda, que, após o nascimento de um filho, seja necessário fazer uma nova vasectomia.

    Banco de esperma. Posto que, antes da vasectomia, o homem decidiu congelar o seu esperma esse pode ser utilizado na técnica de inseminação artificial ou de fertilização in vitro em função da qualidade do sémen.

    Vasectomia e Paternidade

    Se as técnicas cirúrgicas e de reprodução assistida falharem, é possível utilizar o sémen de um dador como uma última opção para aqueles casais que desejam ter filhos.

    Como em qualquer operação, a vasectomia e a sua reversão têm alguns riscos. Estas técnicas, bem como as de reprodução assistida, têm custos monetários e demoram algum tempo, logo, há que estar informado e estar seguro antes de tomar a decisão de fazer uma vasectomia ou de reverte-la.

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