Categoria: Reprodução Assistida

  • ICSI – Microinjecção Intracitoplasmática de Espermatozóides

    ICSI – Microinjecção Intracitoplasmática de Espermatozóides

    ICSI é um tratamento de reprodução assistida frequentemente utilizado em casos de esterilidade graves, sobretudo de esterilidade masculina, já que não requer mobilidade dos espermatozóides.

    ICSI provem das siglas em inglês Intracytoplasmic Sperm Injection e consiste na selecção do melhor espermatozóide para que seja introduzido no interior de uma agulha de microinjecção e, depois, injectado dentro do citoplasma do óvulo.

    O que é o ICSI?

    É uma técnica de reprodução assistida semelhante a fertilização in vitro convencional com a diferença que a inseminação dos óvulos é feita ao introduzir um espermatozóide no interior do óvulo mediante uma microinjecção de forma directa e mais elaborada que numa FIV.

    É utilizada quando os espermatozóides têm dificuldades em penetrar o óvulo sozinhos. Neste caso pode ser utilizado sémen do parceiro ou de um dador. É, igualmente, utilizada quando a contagem de espermatozóides é muito baixa. É uma técnica mais complexa que a de fertilização in vitro convencional, logo, tem um custo económico superior.

    Indicações

    O tratamento por ICSI está indicado nos seguintes casos de esterilidade masculina:

    Azoospermia

    Esta causa de infertilidade deve-se a ausência de espermatozóides no sémen ejaculado. Isto ocorre por duas razões distintas. Uma delas é a incapacidade dos espermatozóides misturarem-se com os restantes fluídos do sémen. Neste caso os espermatozóides são criados.
    No segundo caso, os espermatozóides não chegam a ser produzidos, já que o problema ocorre justamente no seu processo de criação.

    Oligozoospermia

    Refere-se a uma má qualidade do sémen relacionada com sua falta de volume. Segundo a Organização Mundial de Saúde, para que uma amostra de sémen seja viável é necessário que tenha uma quantidade igual ou superior a 20 milhões de espermatozóides por milímetro. Esta causa de infertilidade masculina é, também, apelidada de oligospermia.

    Evidentemente, existem diferentes graus de oligospermia. Entre os 10 e os 20 milhões de espermatozóides por milímetro trata-se de uma oligozoospermia moderada, enquanto que quando existem menos de 10 milhões de espermatozóides por milímetro a oligozooespermia é considerada severa.

    Criptozoospermia

    Também conhecida como criptoespermia, é detectada através de um espermograma, isto é, um exame que mede a qualidade do esperma em função do número de espermatozóides. A infertilidade é detectada quando a contagem de espermatozóides é inferior a 10.000 por milímetro de esperma.

    Astenozoospermia

    Ao contrário dos problemas anteriores, neste caso a qualidade dos espermatozóides é avaliada com base na sua mobilidade. Segundo o estipulado pela Organização Mundial de Saúde, há uma astenozoospermia quando a quantidade de espermatozóides com capacidades de movimentação é inferior 25% ou quando essa movimentação é rectilínea.

    Infertilidade masculina como causa para realizar um ICSI

    Teratozoospermia

    A teratozoospermia ou teratospermia faz referência a morfologia dos espermatozóides. O paciente é considerado infértil se mais de 85% da amostra de sémen ejaculado apresentar anormalidades morfológicas. Neste caso, se o paciente quer ser pai o tratamento ICSI é aconselhado.

    O padrão de esterilidade está estabelecido nos 15% de espermatozóides morfologicamente correctos. Uma percentagem mais baixa que 4% é um sinal claro de infertilidade enquanto que uma percentagem entre os 4% e os 15% representa um bom prognóstico de fertilidade.

    Oligoastenozoospermia

    Também apelidada de oligoastenospermia, refere-se a existência de um conjunto de problemas relacionados com a qualidade do sémen, isto é, somam-se mais do que um dos problemas anteriormente mencionados. Assim, para além de haver uma baixa quantidade de espermatozóides na amostra de sémen, esses espermatozóides têm pouca mobilidade.

    Oligoastenoteratozoospermia

    A oligoastenoteratozoospermia é um caso semelhante ao anterior. Neste caso, conjuga-se a baixa mobilidade dos espermatozóides com uma percentagem elevada de anomalias morfológicas.

    Entre os pacientes para quem o ICSI é recomendado encontram-se os homens que hão realizado uma vasectomia, homens com alguma doença contagiosa como o VIH, homens com sémen congelado que se submeteram a tratamentos de quimioterapia ou radioterapia e homens com impossibilidade de ejacular em condições normais.

    Em relação a esterilidade feminina as causas que levam uma paciente a submeter-se a uma tratamento ICSI são menores. Tratam-se de casos onde há obtenção de um número baixo de ovócitos depois de uma punção ovárica ou casos em que a qualidade dos óvulos é pouca.

    Requisitos

    O ICSI é, habitualmente, realizado em casais que após vários ciclos de fertilização in vitro não obtiveram resultados positivos. O método de microinjecção intracitoplásmica de espermatozóides é mais complexo que a FIV e, neste caso, os casais com um alto nível de infertilidade podem alcançar melhores resultados.

    Infertilidade feminina

    O Processo

    Os passos a seguir durante uma ICSI são os mesmo da FIV convencional, com a diferença que a ineminação dos ovócitos é feita mediante a introdução, de maneira artificial e com um micro-manipulador,de um espermatozóide em cada um dos óvulos maduros obtidos.

    De seguida delineamos todas as etapas deste procedimento:

    Estimulação controlada do ovário

    A estimulação ovárica é feita através de fármacos com o objectivo de controlar em absoluto o óvulo e sua trajectória.

    Punção ovárica

    Consiste na extracção do óvulo maduro, isto é do óvulo quando esta pronto para ser fertilizado. Esta técnica é, também, conhecida como punção folicular.

    Recolha e preparação do sémen

    Esta fase é caracterizada pela realização de uma série de exames que pretendem assegurar a qualidade do sémen.

    Inseminação dos ovócitos

    Por fim, o esperma é introduzido no ovócito com o fim de o fertilizar e dar início ao processo de gravidez.

    Cultivo de embriões

    Este passo é imprescindível para assegurar que o melhor embrião é escolhido para depois ser transferido. Trata-se de observar a forma como se produz a criação de embriões após a fecundação do ovócito. A implantação do embrião no útero da mulher é feita sete dias após a inseminação. Este é o tempo necessário para que haja uma mistura da informação genética dos progenitores e para que o embrião tenha iniciado a sua evolução.

    Transferência de embriões

    Após o cultivo de embriões, é determinado o número destes que serão transferidos para o útero da mulher. Apenas os embriões de maior qualidade são escolhidos. Esta é uma técnica muito simples e que pode ser realizada em poucos minutos. Um catéter muito fino, no qual são depositados os embriões seleccionados, é introduzido via vagina no útero. Ai são depositados os embriões e, posteriormente, é retirado o catéter.

    Congelamento de embriões

    O congelamento de embriões é feito apenas aos embriões de alta qualidade e tem o objectivo de conserva-los para que possam ser posteriormente utilizados se necessário.

    Resultados

    São os mesmos que em uma FIV convencional. O factor que mais influência o êxito da ICSI é a idade da mulher.

    Probabilidades de êxito

    As percentagens de êxito desta técnica variam de caso para caso, sempre tendo em conta a idade das mulheres que se submetem a este tratamento.
    As percentagens de sucesso são:

    • 40% em mulheres com menos de 35 anos de idade.
    • Entre 27% e 36% em mulheres com idade entre os 35 e os 37 anos.
    • Entre 20% e 26% em mulheres com idade entre os 38 e os 40 anos.
    • Entre 10% e 13% em mulheres com mais de 40 anos.

    Contudo, esta é apenas uma forma de medir o êxito, sendo que esse depende, também, dos problemas de esterilidade de cada casal em concreto.

    Problemas

    Os problemas são os mesmos da FIV convencional:

    • Síndrome de hiperestimulação ovárica.
    • Gravidez múltipla Em ciclos onde há a transferência de dois embriões a probabilidade de uma gestação múltipla é de 6%. Em ciclos onde há a transferência de três embriões essa probabilidade é de 12% e a probabilidade de ter uma gravidez de trigémeos é de 3%.

    Riscos

    • Aborto natural: calcula-se que isto aconteça em cerca de 20% a 22% dos casos. A maior parte dos abortos espontâneos ocorrem nas primeiras semanas de gestação.
    • Gravidez ectópica: estatisticamente, entre 2 e 5 em cada 180 mulheres podem ter uma gravidez ectópica após um tratamento de fertilização in vitro.
    • Gravidez Múltipla.

    Preços do ICSI

    Os custos de um tratamento ICSI são variáveis e podem variar segundo as clínicas, segundo a cidade e segundo o país no qual se realiza o tratamento.

    Preço da ICSI

    Outro aspecto a ter em conta é a situação pessoas de cada casal. O tratamento ICSI tanto pode surtir bons resultados da primeira vez quanto podem ser necessários vários ciclos até que seja alcançado o sucesso. Dependendo do grau de infertilidade e do número de tentativas necessárias até que o sucesso seja alcançado, o preço do tratamento pode aumentar exponencialmente.

  • MACS

    MACS

    MACS é uma nova técnica de selecção de espermatozóides capaz de eliminar os espermatozóides com marcadores de apoptose ou fragmentação. Esta técnica contribuiu para a melhoria das taxas de êxito dos procedimentos de reprodução assistida no qual o factor masculino é relevante.

    Colunas de Anexina V

    Qualidade dos espermatozóides

    A qualidade do sémen condiciona, em grande medida, o êxito das técnicas de reprodução assistida, já que, tem um impacto directo no desenvolvimento do embrião.

    O aparecimento da Microinjecção Intracitoplasmática de Espermatozóides (ICSI) nos anos 90 revolucionou as técnicas de reprodução assistida e removeu alguma da gravidade do factor masculino, uma vez que é considerado que quase todos os espermatozóides são capazes de fertilizar um ovócito através do ICSI (Palermo e col., 1995). Posteriores estudos de biologia molecular permitiram uma exploração mais exaustiva dos transtornos que afectam as gametas masculinas e destacaram a sua importância na reprodução assistida (Chemes e Rawe, 2003-2006).

    Qualidade dos espermatozóides e éxito das técnicas de reprodução assistida

    Antes da microinjecção, a selecção de espermatozóides era feita com base nos parâmetros clássicos de mobilidade e morfologia. Técnicas como a dos gradientes de densidade permitiam seleccionar os espermatozóides com base na sua mobilidade.

    Os avanços na biologia molecular permitiram, ainda, detectar a presença de espermatozóides com apoptose que podem ser responsáveis pela existência de baixas taxas de fertilização e implantação do óvulo. (Boe-Hansen y col. 2006, Avendaño y col. 2008).

    Espermatozóides com apoptose

    Desde a sua detecção, várias tentativas terapêuticas de eliminação dos espermatozóides com apoptose nas amostras de sémen foram feitas. Uma dessas tentativas é, por exemplo, a de utilização de antioxidantes orais (segundo estudos realizados não melhoram significativamente os resultados do ICSI).

    Espermatozóides com marcadores de apoptose

    As Colunas de Anexina ou MACS (Magnetic-activated cell sorting) aproveitam-se da presença, nas membranas dos espermatozóides, de determinados marcadores pré-apoptose para selecciona-los e elimina-los das amostras de sémen, obtendo deste modo, uma amostra de melhor qualidade. Trata-se de um método bastante inovador que tem provado ser eficaz e seguro para os seres humanos.

    Como funcionam as colunas de anexina?

    A presença ou ausência de determinados marcadores moleculares na membrana do espermatozóide é um excelente indicador da sua saúde e qualidade. A fosfatidilserina (PS), por exemplo, está associada a estados de apoptose. A sua presença na membrana externa do espermatozóide está correlacionada com um alto nível de espermatozóides com apoptose.

    Esta técnica baseia-se no uso de partículas magnéticas coloidais de aproximadamente 50mm de diâmetro unidas a Anexina V e que se conjugam com anticorpos específicos da fosfatidilserina. Deste modo, os espermatozóides alterados unem-se a estas microesferas. Através da utilização de um intenso campo magnético, os espermatozóides marcados, devido a sua união com as microesferas, ficam retidos na matriz de uma coluna, dando-se, assim, a separação física dos espermatozóides.

    Funcionamento das colunas de anexina

    Todos os estudos realizados até ao momento demonstram que esta técnica é eficaz na redução do número de espermatozóides fragmentados ou com apoptose. Os espermatozóides recolhidos após a realização da técnica MACS exibem um nível de fragmentação de ADN considerado normal.

  • IMSI – Microinjecção Intracitoplasmática de Espematozóides Morfologicamente Selecionados

    IMSI – Microinjecção Intracitoplasmática de Espematozóides Morfologicamente Selecionados

    O desenvolvimento de processos de reprodução assistida tem aumentado nos últimos anos, dando origem a criação de novas e inovadoras técnicas. Essas novas técnicas são capazes de melhorar as taxas de êxito dos tratamentos de reprodução assistida. Contudo, é sempre preciso ter em conta que nenhuma destas técnicas tem uma eficácia de 100%.

    Uma das causas mais frequentes da infertilidade é o factor masculino. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o espermograma é a ferramenta de avaliação da fertilidade masculina mais objectiva porque detecta problemas na função testicular. Esses problemas são caracterizados pela diminuição do número de espermatozóides produzidos, pela pouca mobilidade dos espermatozóides e pela presença de espermatozóides com uma morfologia alterada. Este último parâmetro é o melhor indicador da fertilidade masculina, logo, uma utilização de espermatozóides com boa morfologia possibilita a existência de um maior número de gravidezes de sucesso.

    Nos casos em que o factor masculino é causa de infertilidade, a técnica mais utilizada é a microinjecção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI). Até pouco tempo, a análise e selecção dos espermatozóides ejaculados ou testiculares para utilização no processo de ICSI baseava-se na observação da cabeça, cauda e segmento intermédio dos mesmos. Contudo, o critério de observação e selecção dos espermatozóides que seriam microinjectados era da escolha do médico especialista, dotando este processo de uma certa subjectividade. Por esse motivo, foram introduzidas algumas modificações no processo de ICSI que deram origem ao que ficou conhecido como Injecção Intracitoplasmática de Espermatozóides Morfologicamente Seleccionados (IMSI).

    Vantagens da IMSI

    Esta nova técnica é muito vantajosa pois permite que seja feita, por exemplo, a selecção do espermatozóides em tempo real sem que esse sofra danos. Permite, ainda, a visualização dos espermatozóides com uma magnificação de 6.300. Esta visualização tão detalhada permite aos biólogos descartarem todos os espermatozóides que têm uma morfologia defeituosa.

    Segundo a Organização Mundial de Saúde, um espermatozóide ideal deve ter uma cabeça ovulada, a cauda recta, o núcleo fixo e ser transparente. Qualquer espermatozóide que não tenha essas características, não seria escolhido para fecundar o óvulo, já que, pode dar origem a uma fertilização falhada e aumentar a probabilidade de abortos.

    Indicações do IMSI

    A utilização da IMSI está indicada nos seguintes casos:

    • Quando já se realizaram várias tentativas falhadas de transferência de embriões. Essas tentativas podem ter falhado devido à não fertilização dos óvulos ou porque os óvulos ou embriões fertilizados não se desenvolveram.
    • Pacientes con teratospermia severa.
    • Pacientes com resultados alterados de fragmentação de ADN espérmico.
    • Casos de esterilidade de larga duração de origem desconhecida.

    Desvantagens da IMSI

    Os inconvenientes relacionados com esta técnica são, também, muito evidentes e têm dificultado a sua propagação generalizada.

    IMSI

    Em primeiro lugar, é um processo de longa duração que pode prolongar-se até 5 horas. Em segundo lugar, é um processo com um custo elevado, o que dificulta a sua implementação em laboratórios. Nos laboratórios que recorrem à esta técnica ela apenas é utilizada nos casos em que a qualidade do sémen é muito baixa ou em que sucessivas fertilizações in vitro e tentativas de ICSI falharam.

    Para que a eficácia desta técnica seja comprovada, são necessários mais estudos com amostras populacionais de maior dimensão.

  • PICSI – Injecção Intracitoplasmática de Espermatozóides

    PICSI – Injecção Intracitoplasmática de Espermatozóides

    O PICSI (sigla em inglês) é uma variante da técnica de injecção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI).

    No processo tradicional de ICSI a selecção do espermatozóide é feita mediante a observação da amostra de sémen e selecção de um espermatozóide com boa mobilidade por parte do embriólogo. Depois da selecção é realizada a injecção intracitoplasmática do espermatozóide.

    O PICSI pretende possibilitar a existência de um sistema menos subjectivo de selecção de espermatozóides. Esta técnica é realizada utilizando uma molécula similar a que envolve o ovócito de forma natural.

    Indicações

    Apesar de ser uma técnica recente, ainda em estudo, as clínicas de reprodução assistida decidiram que a sua utilização está mais indicada nos casos de:

    • Pacientes com alto nível de fragmentação de ADN nos seus espermatozóides.
    • Tentativa de injecção intracitoplasmática falhada devido a baixa qualidade dos embriões.
    • Aborto de repetição de causa masculina ou desconhecida.

    Processo

    O procedimento de aplicação do PICSI é o mesmo do ICSI e apenas muda no momento de selecção do espermatozóide.

    A recolha do sémen é feita normalmente e, após a capacitação dos espermatozóides, esses são depositados numa placa especial.

     Instumentos necessários para realizar um PICSI

    Essa placa contém algumas gotas de um material sintético similar ao ácido hialurónico que cobre os ovócitos de forma natural. Os espermatozóides de boa qualidade ficam presos a essas gotas, possibilitando a sua fácil identificação. Uma vez seleccionados os espermatozóides, esses são aspirados pela pipeta de micro-injecção e a injecção intracitoplasmática é realizada normalmente.

    Vantagens

    Este método é muito útil nos casos de pacientes que têm espermatozóides com boa mobilidade mas com uma alta fragmentação de ADN, porque ajuda a selecionar o espermatozóide de melhor qualidade.

     Procedimento ICSI

    Os espermatozóides seleccionados individualmente apresentam baixos índices de fragmentação e contribuem para a diminuição da existência de alterações genéticas. As hipóteses de formação de embriões de boa qualidade são, assim, maiores o que se reflecte num aumento das taxas de gravidez.

  • Vantagens do Embryoscope

    Vantagens do Embryoscope

    O embryoscope é um incubador de última geração que permite acompanhar, através de um registo de imagens e vídeos, o desenvolvimento do embrião desde o momento da fertilização do óvulo.

    Num tratamento de reprodução assistida como a fertilização in vitro, a fecundação do óvulo pelo espermatozóide é feita em laboratório. Assim, é necessário fazer o cultivo dos embriões que são colocados numa placa de Petri e, posteriormente, num incubador. Os incubadores encarregam-se de imitar as condições internas do útero como a pressão do oxigénio, a pressão do dióxido de carbono e a temperatura (37°C), até que a transferência dos embriões para a cavidade uterina seja realizada.

    Vantagens

    O embryoscope é uma tecnologia pioneira porque permite, graças a utilização de uma câmara, captar automaticamente imagens de 15 em 15 minutos. É possível monitorizar em tempo real a divisão celular do embrião, não sendo necessário extrair o embrião do incubador para avaliar a sua qualidade e correcto desenvolvimento.

    Incubador de embriões de última geração

    O embryoscope permite observar a qualidade dos embriões e detectar qualquer alteração que possa surgir durante o seu desenvolvimento. Essas alterações podem ser, assim, corrigidas enquanto que sem o embryoscope poderiam passar despercebidas a não ser que o embriólogo extraia o embrião do incubador e o observe num microscópio. Toda a informação angariada pelo embryoscope é transferida para um computador e o desenvolvimento do embrião pode ser observado e analisado em qualquer momento.

    Melhoria das taxas: graças ao embryoscope é possível seleccionar apenas os embriões de melhor qualidade e o seu cultivo é mais estável. Estas vantagens traduzem-se numa melhor taxa de sucesso de implantação embrionária que contribui para o aumento da taxa de gravidez.

  • Congelamento e Vitrificação

    Congelamento e Vitrificação

    O congelamento e a vitrificação são duas técnicas distintas utilizadas no âmbito da reprodução assistida que servem para preservar ou crio-preservar, isto é, para manter as características e estruturas dos óvulos, espermatozóides e embriões latentes durante algum tempo.

    Num primeiro momento, apenas existia a técnica de congelamento. O congelamento de espermatozóides oferecia bons resultados e a sua qualidade praticamente não era alterada. Pelo contrário, o congelamento de óvulos e embriões não era bem-sucedido e o seu descongelamento causava graves danos, diminuindo a sua qualidade.

    Banco de nitrógenio líquido

    Com o advento da técnica de vitrificação houve um grande avanço na reprodução assistida. Esta técnica trata-se de um congelamento ultra-rápido que permite que estruturas maiores como a dos óvulos e embriões não sofram danos devido a formação de cristais.

    Dependendo das estruturas que devem ser preservadas tanto uma técnica com a outra podem ser utilizadas.

    Vitrificação de óvulos

    No caso dos óvulos, está comprovado que a vitrificação é a técnica ideal, já que o congelamento ultra-rápido não dá origem à criação de cristais que podem danificar algumas das estruturas celulares dos óvulos. O congelamento tradicional ou slow-freezing resultava numa perda grave de qualidade dos óvulos.

    Actualmente, apenas a vitrificação é utilizada, já que, os óvulos vitrificados tem a mesma qualidade que os que nunca foram congelados. Assim, é possível criopreservar a fertilidade da mulher preservando óvulos que podem ser posteriormente utilizados. Os óvulos mantêm todas as propriedades que tinham no momento da sua vitrificação, logo, e tendo em conta que o potêncial reprodutivo da mulher diminui com a idade, esta técnica é um grande avanço.

    Óvulos preparados para serem vitrificados

    Vitrificação de embriões

    Sendo os embriões uma célula de grandes proporções, o congelamento ultra-rápido é a melhor solução para evitar a danificação das suas estruturas celulares. Depois de serem desvitrificados os embriões prosseguem o seu desenvolvimento e divisão de forma natural. Esta técnica representa uma importante vantagem, uma vez que, se forem obtidos vários embriões de qualidade num ciclo estes podem ser utilizados posteriormente sem que a mulher tenha de se submeter a uma nova estimulação do seu ciclo menstrual.

    Congelamento de espermatozóides

    Os espermatozóides são células muito pequenas o que impede a formaçãos de cristais capazes de prejudicá-los.

    Espermatozóides Humanos

    Por ser um procedimento mais simples e com menores custos o congelamento de espermatozóides é ainda a técnica mais utilizada. A taxa de sobrevivência dos espermatozóides após o seu congelamento é muito alta e não há diminuição da sua qualidade.

  • Diagnóstico Genético Pré-Implantação

    Diagnóstico Genético Pré-Implantação

    Esta é uma tecnologia utilizada no âmbito do processo de fertilização in vitro com o objectivo de detectar embriões geneticamente não afectados para que possam ser, posteriormente, implantados na cavidade uterina da mulher. O grande objectivo desta técnica é evitar que o feto padeça de doenças genéticas evitáveis.

    O diagnóstico genético pré-implantação está, como outras técnicas de reprodução assistida, restringido pela lei. Em alguns países a sua legalidade não é reconhecida e a sua utilização é moralmente rejeitada.

    De seguida iremos analisar em detalhe as peculiaridades do Diagnóstico Genético Pré-implantação.

    Diagnóstico Genético Pré-Implantação

    O que é?

    O diagnóstico genético pré-implantação é uma técnica de prevenção utilizada na reprodução medicamente assistida com a finalidade de detectar anomalias genéticas no embrião. Este procedimento é aplicado antes da transferência dos embriões para o útero materno no âmbito do processo de fertilização in vitro para que seja possível seleccionar os embriões geneticamente mais correctos. Graças a este processo algumas doenças como o síndrome de down podem ser evitadas.

    Esta técnica torna o processo normal de fertilização in vitro um pouco mais complexo, havendo um aumento dos custos económicos. Como em todos as restantes técnicas de reprodução assistida, o preço do tratamento depende, não só da sua complexidade, mas também de cada clínica e de cada caso em particular.

    Em que consiste o DGP?

    Indicações

    A utilização desta técnica está indicada nos seguintes casos:

    • Quando os progenitores, ou pelo menos um deles, são portadores de alguma doença genética hereditária.
    • Quando os progenitores, ou pelo menos um deles, são portadores de alguma anomalia genética.
    • Depois de vários ciclos fracassados de fertilização in vitro convencional.
    • Depois de fracassos repetidos na implantação de embriões.
    • Repetição de abortos espontâneos.
    • Idade avançada da futura mãe.
    • Antecedentes de uma gravidez aneuploidia.
    • Em alguns casos específicos, quando há esterilidade masculina.

    Processo

    Três dias após a punção folicular e a fecundação do óvulo por um espermatozóide, é realizado o diagnóstico genético pré-implantação. O embrião contém entre 6 e 8 células estaminais.

    De seguida delineamos o processo de realização desta técnica:

    • Extracção de material genético do embrião.
    • Análise do material genético extraído.
    • O embrião compensa a ausência da célula extraída e continua a multiplicar-se de forma natural.
    • Verificação da existência de qualquer mutação genética no embrião.

    Processo de Diagnóstico Genético Pré-Implantação

    Resultados

    O diagnóstico genético pré-implantação contribui para:

    • O aumento da probabilidade de sobrevivência do embrião.
    • A redução do risco de abortos espontâneos e abortos de repetição.
    • A Captação de informação sobre a constituição cromossómica do embrião.
    • O aumento das taxas de gravidez.
  • Fertilização in Vitro

    Fertilização in Vitro

    A fecundação in vitro é uma técnica de reprodução assistida que consiste na extracção dos óvulos por punção folicular e na sua fecundação com espermatozóides em ambiente laboratorial com o objectivo de obter pré-embriões de boa qualidade que são, posteriormente, transferidos para a cavidade uterina da mulher.

    Este tratamento é, normalmente, conhecido como FIV – Fertilização in Vitro – ou como fertilização assistida.

     Definição de Fertilização in Vitro

    Indicações

    A fertilização in vitro é levada a cabo nos casos de esterilidade, tanto feminina como masculina ou nos casos em que a fecundação fracassou sem um razão aparente. Algumas dessas razões podem ser as seguintes:

    Infertilidade masculina

    Nos casos de infertilidade masculina moderada ou grave os casais podem recorrer à fertilização in vitro com o objectivo de conseguir uma gravidez. Contudo, existe um número mínimo de espermatozóides necessários para que esta técnica seja realizada com algumas garantias de sucesso. Assim, se o homem sofrer de infertilidade masculina causada por um factor relacionado com o seu esperma, deve ter uma contagem mínima de 2 a 3 milhões de espermatozóides para que a fertilização possa ser realizada.

    Existem várias causas relacionadas com a infertilidade masculina que podem indicar a necessidade de recorrer à fertilização in vitro. As causas mais comuns são:

    • Oligospermia
    • Teratospermia
    • Astenozoospermia
    • Criptozoospermia
    • Combinação das várias alterações mencionadas anteriormente.

    A oligoasthenoteratospermia

    Infertilidade feminina

    Este tipo de infertilidade aparece quando é a mulher que apresenta o maior problema em conceber. Contudo, é também possível que a causa da infertilidade seja de origem combinada, isto é, é possível que existam alterações na qualidade do sémen bem como na capacidade fértil da mulher.

    Nas mulheres os principais problemas de infertilidade costumam estar relacionados com:

    • Problemas de ovulação
    • Factor tubárico
    • Factor uterino
    • Factor cervical
    • Endometriose de moderada a severa

    Requisitos

    Ao contrário da inseminação artificial, no caso da FIV não existem requisitos específicos capazes de garantir o êxito do tratamento. Isto deve-se ao facto de que este tipo de tratamento de reprodução assistida envolve uma maior intervenção dos especialistas em fertilidade. No entanto, a fertilização in vitro apenas pode ser realizada se existirem algumas condições mínimas. Essas condições são as seguinte:

    Homem: é necessário que o seu sémen detenha uma determina qualidade, que existam espermatozóides no sémen ejaculado e que a sua contagem de espermatozóides seja de, no mínimo 3 milhões por ml.

    Mulher: deve ser capaz de produzir óvulos e não deve apresentar malformações ou alterações uterinas que impeçam a implantação do embrião e seu correcto desenvolvimento.

    Problemas da FIV

    O Processo

    É importante mencionar que esta técnica é simples e indolor, logo, não requer a utilização de anestesia. O processo de fertilização in vitro é composto por uma série de passos que devem ser cuidadosamente seguidos para que o tratamento seja bem-sucedido.

    Estimulação controlada do ovário

    Medicamentos específicos são usados com a finalidade de controlar em absoluto o processo de ovulação da mulher e a trajectória do óvulo.

    Punção folicular

    Quando os folículos alcançam o seu tamanho optimal (de entre 15 e 18mm) o ginecologista realiza uma punção para extraí-los. Esta é uma intervenção simples e indolor.

    Colheita e preparação do sémen

    É necessário realizar alguns exames para garantir a melhor qualidade possível do esperma.

    Inseminação dos ovócitos

    Por fim, o esperma é introduzido no ovócito com o objectivo de fecunda-lo e dar início ao processo de gestação.

    Cultivo de embriões

    Esta fase consiste na observação da criação de embriões após a fecundação do ovócito. A implantação no útero da mulher é feita sete dias depois da inseminação.

    Cultivo de embriões para FIV

    Transferência embrionária

    Após o cultivo, são escolhidos os embriões de melhor qualidade e a transferência embrionária é feita.

    Congelação de embriões

    Os embriões de qualidade elevada são congelados e preservados para que possam, no caso de necessidade, serem posteriormente utilizados.

    Resultados

    Como em todas as técnicas de reprodução medicamente assistida o êxito do tratamento é medido em função da idade da paciente, já que este é um dos factores que mais influência os resultados dos tratamentos.

    Ademais, cada caso específico tem as suas vantagens e desvantagens, que devem ser determinadas pelo especialista responsável pelo caso. Mesmo assim, em função da idade, foi possível estipular alguns padrões para medir a percentagem de êxito.

    Taxa de sucesso

    • Cerca de 40% em mulheres com menos de 35 anos de idade.
    • Entre 27% e 36% em mulheres com idade compreendida entre os 35 e os 37 anos.
    • Entre 20% e 26% em mulheres com idade compreendida entre os 38 e os 40 anos.
    • Entre 10% e 13% em mulheres com mais de 40 anos de idade.

    Sucesso da FIV

    Problemas

    A FIV acarreta alguns inconvenientes que derivam da utilização de medicamentos durante as primeiras fases do tratamento que procuram conseguir uma estimulação ovárica. Em concreto, podemos definir os seguintes pontos como desvantagens da fertilização in vitro:

    Síndrome de hiperestimulação ovárica

    É administrado à mulher um medicamento que procura controlar o ciclo menstrual e estimular a produção ovárica. Esta medicação pode causar uma hiperestimulação ovárica, isto é, um crescimento exagerado do tamanho dos óvulos e extravasamento de fluídos para fora da corrente sanguínea devido ao aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos. Nestes casos, o correcto funcionamento dos sistemas hepático, renal, respiratório e hematológico é comprometido.

    Gravidez múltipla

    Nos ciclos em que são transferidos dois embriões existe uma probabilidade de 6% de uma gestação de gémeos. Quando são transferidos três embriões essa probabilidade cresce para 12% e a probabilidade de uma gravidez de trigémeos é de 3%. Apesar de estas percentagens não serem demasiado altas não podem passar despercebida. A possibilidade de uma gestação múltipla é um risco que deve ser tido em conta.

    Aborto natural

    Esta é uma das desvantagens mais comuns neste tipo de tratamento. Cerca de 20% das gravidezes terminam num aborto natural, sendo que a maioria desses abortos ocorre durante as primeiras semanas de gravidez. Sendo esta taxa um pouco mais elevada os paciente devem estar, antes de submeterem-se ao tratamento, cientes que a possibilidade de ocorrer um aborto existe.

    Gravidez ectópica

    Entre 2% e 5% das mulheres que se submetem a um tratamento de fertilização in vitro desenvolvem uma gravidez ectópica. Este número contrasta com o 1% de probabilidade de este tipo de gravidez acontecer quando a concepção é feita de forma natural.

  • Inseminação Artificial (IA)

    Inseminação Artificial (IA)

    A inseminação artificial é uma das técnicas de reprodução assistida mais simples. Apesar da crença comum de que esta é um técnica moderna, pensa-se que começou a ser testada em humanos já no século XV, tendo ganho popularidade na década de 70 do século XX. A sua utilização é cada vez mais comum e estima-se que, por exemplo, em Espanha sejam realizadas cerca de 23.000 inseminações artificiais por ano, numero este que aumenta de ano para ano.

    A inseminação artificial é um processo simples e menos invasivo que outras técnicas de reprodução assistida mais complexas. É indolor e não é necessário anestesia.

    O que é a inseminação artificial?

    A inseminação artificial consiste na deposição de espermatozóides de uma forma não natural no útero da mulher durante o seu período de ovulação com o objectivo de conseguir uma gravidez.

    A inseminação é amplamente utilizada, existindo diferentes tipos de inseminação artificial dependendo do local de deposição dos espermatozóides no aparelho reprodutor feminino:

    • Inseminação artificial Intratubária
    • Inseminação artificial Intracervical
    • Inseminação artificial Intravaginal
    • Inseminação artificial Intrafolicular
    • Inseminação artificial Intra-uterina

    A inseminação artificial Intra-uterina é a mais utilizada e a que apresenta melhores resultados. Os outros tipos de inseminação artificial apenas são utilizados se houver problemas em alcançar o útero da mulher através do cérvice.

    Inseminação artificial

    Os tipos de inseminação artificial podem, também, ser classificados segundo a origem da amostra de sémen. Estes tipos podem ser a inseminação feita com o sémen do homem do casal ou inseminação feita com sémen de um dador. Nos casos de mulheres solteiras, de casais lésbicos ou de casais heterossexuais nos quais o homem tem problemas graves, a inseminação feita com sémen de um dador é a técnica utilizada.

    Indicações da escolha do método de inseminação artificial

    Ao escolher este método de reprodução assistida é importante fazer uma diferenciação dos vários tipos de inseminação artificial:

    Inseminação artificial utilizando o sémen do parceiro

    Este tipo de inseminação artificial deve ser utilizada quando existe:

    • Infertilidade feminina devido a problemas no cérvice.
    • Endometriose leve ou moderada.
    • Alterações no ciclo menstrual. Estas alterações incluem, por exemplo, o síndrome do ovário policístico.
    • Impossibilidade de depositar o sémen na vagina: ejaculação retrograda, vaginismo, ejaculação precoce, impotência sexual.
    • Alterações na qualidade do sémen.
    • Esterilidade de origem desconhecida: quando análises prévias não acusam a existência de qualquer patologia e os os pacientes apresentam níveis de fertilidade normal é recomendado começar com a inseminação.
    • Esterilidade de causa imunológica: incompatibilidade entre o aparelho reprodutor feminino e o esperma. Geralmente, esta esterilidade acontece devido a fabricação de anticorpos por parte da mulher que destroem os espermatozóides. A esterilidade de causa imunológica não é muito comum e a forma como funciona ainda não é totalmente conhecida.

    Indicações

    Inseminação artificial com sémen de dador

    No caso de um casal, após várias tentativas falhadas de inseminação com o sémen do parceiro é possível recorrer a inseminação com sémen de um dador. Este método é, geralmente, utilizado nos seguintes casos:

    • Mulheres solteiras ou casais lésbicos.
    • Existência de doenças genéticas do homem que não podem ser previamente diagnosticadas
    • Baixa qualidade do sémen.
    • Existência de doenças sexualmente transmitidas que impedem a garantia de existência de sémen sem vírus mesmo após a realização de tratamentos.

    Requisitos

    Para que um casal possa submeter-se à tratamentos de inseminação artificial devem reunir um conjunto de condições mínimas que assegurem que esta técnica funcionará correctamente.

    Em primeiro lugar o risco de existência de Hepatite C ou B, do vírus VIH, de Rubéola, de Sífilis e de Taxoplasmoses deve ser descartado, garantindo que não há riscos de contágio entre o casal e/ou o futuro bebé.

    Uma vez garantida a segurança é necessário comprovar a permeabilidade tubária da mulher. Isto é feito através de uma série de técnicas que permitem observar as trompas de Falópio e seu funcionamento.

    No caso do homem, é necessário que este tenha um mínimo de espermatozóides de boa qualidade. É necessária uma contagem superior aos 3 milhões de espermatozóides móveis.

    Por fim, o factor idade influência directamente as probabilidades de êxito ou fracasso de uma inseminação artificial. Em média, depois dos 36 anos as probabilidades de engravidar das mulheres começam a baixar.

    Processo

    A inseminação artificial é uma técnica simples que consiste em estimular suavemente a mulher e, no dia da sua ovulação, introduzir o sémen no seu útero.

    Ciclo ovárico controlado

    É necessário saber em que momento exacto do seu ciclo menstrual se encontra a mulher de forma a ser possível saber quando se deve realizar a inseminação. Nas mulheres que ovulam sem problemas não é necessário estimular o ciclo menstrual. Contudo, é recomendado faze-lo porque aumenta as possibilidades de sucesso do processo de inseminação.

    A estimulação ovárica é feita através da utilização de uma série de hormonas. As mais utilizadas são as gonadotrofinas. O controlo do número de folículos estimulados é recomendado, já que, a estimulação de um número elevado pode produzir gestações múltiplas. Assim, a estimulação deve ser suave e monitorizada.

    Ciclo menstrual estimulado pela inseminação artificial

    Indução da ovulação

    Uma vez alcançado o crescimento ideal dos folículos (18 mm de diâmetro), as hormonas para desencadear a ovulação são administradas e a ovulação ocorre nas 36-48 horas seguintes. A inseminação deve ser realizada nesse espaço de tempo.

    Capacitação do Sémen

    A fim de ser possível obter uma amostra de sémen em boas condições é aconselhável que o homem guarde um período de abstinência de 4 dias. Se o sémen utilizado é de um dador a clínica se encarregará de garantir a qualidade do mesmo.

    A capacitação do sémen é uma técnica através da qual proteínas e outros restos são eliminados do sémen, preservando-se os espermatozóides que têm boa mobilidade.

    Inseminação intra-uterina

    Neste caso a inseminação é feita durante o período de ovulação. Os espermatozóides capacitados são recolhidos num tubo e injectados no cérvice da mulher. Esta injecção pode ser feita directamente ou guiada por uma ecografia para que a paciente a possa seguir. Este procedimento é indolor e, por precaução, é aconselhável fazer uma hora de repouso após a inseminação. Depois do repouso a mulher pode abandonar a clínica e proceder com a sua vida normal.

    Apoio à fase luteína

    Geralmente, progesterona é administrada por via vaginal no suporte à fase luteína, isto é, a última fase do ciclo menstrual, para que a implantação do embrião seja mais fácil.

    Resultados

    Existe uma variedade de factores que influenciam os resultados da inseminação artificial como é o caso da idade da mulher, a espessura do endométrio e a qualidade do esperma. É importante incluir neste tratamento apenas os pacientes adequados.

    A eficácia do tratamento varia segundo as clínicas, sendo que a taxa de gravidez de sucesso de mulheres com menos de 35 anos que se submeteram a um tratamento de inseminação artificial com o sémen do seu parceiro varia entre os 13% e os 25%. No caso de utilização de sémen de um dador a taxa de sucesso ronda os 18-29%.

    Diversos estudos demonstram que é aconselhável realizar uma série de inseminações no caso de não haver gravidez. O mais recomendável é realizar 4 ciclos de inseminações e, se não for possível produzir uma gestação, outro tratamento de reprodução assistida deve ser escolhido. A taxa de gravidez após estes quatro ciclos é de 50-60% quando é utilizado o sémen do parceiro e de 60-70% no caso de utilização do sémen de um dador.

    Taxas de sucesso e resultados da IA

    Vantagens

    A principal vantagem da inseminação artificial é que é uma técnica simples que não requer qualquer intervenção cirúrgica. Assim, a utilização de anestesia não é necessária e todo o procedimento é indolor.

    Outra vantagem é o custo. Por ser uma técnica menos complexa o seu preço é menor quando comparado com outros tratamentos de reprodução assistida que requerem intervenção cirúrgica.

    Problemas

    Apesar de o número de problemas relacionados com a inseminação artificial ter vindo a diminuir continuamente durante os últimos anos em algumas ocasiões podem surgir algumas complicações como:

    • Síndrome da Hiperestimulação ovárica. Este síndrome é causado por uma resposta excessiva dos folículos as hormonas. Por este motivo as estimulações durante o processo de inseminação artificial devem ser suaves e controladas através de ecografias. Quando um risco de hiperestimulação é detectado o ciclo deve ser interrompido.
    • Gravidez Múltipla: a estimulação dos folículos pode originar gestações múltiplas sobretudo em mulheres jovens. Actualmente, as clínicas de reprodução assistida esforçam-se para evitar as gestações múltiplas, já que estas acarretam alguns riscos. Em mulheres com menos de 35 anos a administração de hormonas deve ser cancelada no caso de existirem mais de 5 folículos de 12mm ou mais de 3 com 15mm.

    Desvantagens da inseminação artificial: gestações múltiplas

    • Gravidez ectópica, refere-se a implantação do embrião fora da cavidade uterina. Em gravidezes conseguidas através de inseminação artificial o risco de uma gravidez ectópica é de 4%.
    • Aborto: o risco de aborto é maior durante as primeiras semanas de gestação, sendo que a taxa encontra-se nos 20%.
    • Infecções: são muito pouco frequentes (0.07% em cada inseminação), graças as rigorosas medidas de esterilização obrigatórias nas clínicas.

    Podem, também, produzir-se inflamações pélvicas e alguns problemas imunológicos.

  • Doação de Embriões

    Doação de Embriões

    Os casais que se submetem a um tratamento de fertilização in vitro (FIV) e têm um número elevado de embriões de boa qualidade, optam, por vezes, por vitrificar os embriões sobressalentes, já que, o número máximo legal de embriões transferíveis está fixado em três.

    Uma vez que o casal decida que não quer ter mais filhos, tem a opção de doar os embriões congelados à outras pessoas que desejam ter filhos. A doação de embriões com fins reprodutivos é um tratamento de reprodução assistida cada vez mais procurado por casais.

    Benefícios da adopção de embriões

    Vantagens de adoptar um embrião

    Para um casal que continua a ter problemas de concepção mesmo após várias tentativas fracassadas de reprodução assistida como a inseminação artificial ou fertilização in vitro, a adopção de embriões é uma opção muito vantajosa, visto que:

    • Não existe uma lista de espera: o acesso ao tratamento é bastante simples. Contudo, é necessário que o embrião partilhe uma série de características com os futuros pais como é o caso do tipo sanguíneo e das características fenotípicas.
    • Preparação endometrial: a mulher não necessita qualquer estimulação ovárica, apenas é necessário preparar o endométrio. O modo de administração da medicação é simples, tratando-se de comprimidos ou capsulas vaginais de progesterona. Através de uma ecografia é possível observar o momento ideal para a transferência do embrião.
    • Visitas à clínica: a preparação do endométrio é simples e requer menos visitar à clínica que, por exemplo, a preparação para uma fertilização in vitro.
    • Custo: o custo deste tratamento de reprodução é bastante reduzido quando comparado com outros tratamentos que requerem mais trabalho laboratorial. Outra vantagem deste tipo de tratamento é que a quantidade de medicação necessária é menor.
    • Tempo: num período de um ano a paciente pode realizar todo o tratamento. Uma vez marcada a transferência dos embriões com base no estado endométrio da receptora, a desvitrificação dos embriões e sua transferência podem ser feitas no mesmo dia e após duas semanas a paciente já pode fazer um teste de gravidez.

    Resultados da doação embrionária

    Resultados da doação embrionária

    A taxa de êxito de adopção de embriões doados depende, em grande medida, da qualidade desses mesmo embriões. Neste caso, apesar de importantes, as características da mulher receptora não são factores-chave para o sucesso da adopção.

    A taxa de sobrevivência dos embriões à sua descongelação é alta, oscilando entre os 80% e 90%. No que respeita à possibilidade de uma gravidez, as taxas de sucesso variam entre clínicas, havendo uma probabilidade de êxito de entre 20% e 40%.

    Antes de se submeter a este tipo de tratamento o casal deve estar seguro de que não se importam que o seu bebé tenha um código genético diferente dos seus. Devem, ainda, ter em conta todos os aspectos éticos e morais que uma adopção de embriões encarreta.

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