Autor: Carla Nobrega

  • Capacitação de Espermatozóides

    Capacitação de Espermatozóides

    A capacitação de espermatozóides é um processo que ocorre de forma natural nos espermatozóides e que lhes permite ter a capacidade de fertilizar o óvulo.

    Assim que o espermatozóide é ejaculado é incapaz de penetrar a espessa membrana do óvulo e necessita sofrer uma serie de alterações estruturais. Essas alterações ocorrem no interior do aparelho reprodutivo feminino.

    Nos tratamentos de reprodução assistida que requerem a capacitação dos espermatozóides, como é o caso da inseminação artificial e da FIV, a capacitação pode ser feita em laboratório.

    A capacitação pode, também, ser utilizada no âmbito de um diagnóstico da capacidade dos espermatozóides fertilizarem o óvulo.

    Capacidade do esperma

    Para que a capacitação dos espermatozóides possas ser feita é necessário processar uma amostra de sémen em laboratório através de técnicas como a swim-up e os gradientes de densidade.

    Os espermatozóides separam-se do líquido seminal e são agrupados em função da sua mobilidade e morfologia. Assim, é possível escolher apenas os espermatozóides aptos para a fertilização.

    Os resultados da capacitação são apresentados em termos da quantidade de espermatozóides moveis e com trajectórias rectilíneas por milímetro de sémen ejaculado. Isto é conhecido como contagem de espermatozóides móveis.

    Contagem de espermatozóides móveis

    A partir dos resultados obtidos pelo espermograma e pela capacitação dos espermatozóides é feito um diagnóstico e uma técnica de reprodução assistida é aconselhada da seguinte forma:

    • No caso de uma contagem superior a 3 milhões de espermatozóides móveis por ml de sémen deve-se recorrer à inseminação artificial.
    • No caso de uma contagem superior a 1 milhão de espermatozóides móveis por ml de sémen mas inferior a 3 milhões deve-se optar por uma fertilização in vitro convencional.
    • No caso de uma contagem inferior a 1 milhão de espermatozóides móveis por ml de sémen, uma microinjecção intracitoplásmica de espermatozóides é aconselhada (ICSI).
  • Problemas da Inseminação Artificial

    Problemas da Inseminação Artificial

    Apesar da inseminação artificial ser uma técnica segura e apesar das clínicas de reprodução assistida esforçarem-se cada vez mais para melhorar os protocolos de segurança, podem acontecer algumas complicações.

    Riscos da técnica

    Os riscos que derivam da inseminação artificial são os seguintes:

    • Infecções.
    • Alergias. Apesar das probabilidades serem mínimas, algum tipo de alergia pode desenvolver-se devido aos componentes com que o sémen é lavado. É possível que este seja o inconveniente que menos vezes afecta as pacientes.
    • Reacções imunológicas. Criação de anticorpos anti espermatozóides. Este tipo de reacções apenas acontece em mulheres que já tinham um historial de existência de anticorpos anti espermatozóides. A probabilidade deste inconveniente é de menos de 5%.

    Riscos da estimulação ovárica

    Os principais riscos associados a inseminação derivam da estimulação ovárica a qual a mulher tem de se submeter. Estes riscos são os seguintes:

    • Síndrome da hiperestimulação ovárica. Na inseminação artificial este risco é mínimo e é rapidamente resolvido através do cancelamento do ciclo de inseminação.
    • Gestações múltiplas. Estas gestações ocorrem entre 12% e 30% dos casos, sendo mais frequentes em mulheres jovens com mais de 5 folículos ováricos maiores de 16mm e inseminadas com mais de 30 milhões de espermatozóides.

    Ovário com síndrome de hiperestimulação

    Riscos da gravidez

    As complicações na gravidez podem incluir:

    • Aborto natural. Calcula-se que este tipo de aborto aconteça entre 20% e 22% dos casos. A maior parte dos abortos espontâneos ocorrem nas primeiras semanas de gravidez.
    • Uma gravidez ectópica. A estatística diz que 4 mulheres em cada 100 submetidas a um tratamento de inseminação artificial podem ter uma gravidez ectópica. Na inseminação natural a probabilidade disso acontecer é de 0,8%. Como vemos, as probabilidades deste problema manifestarem-se são baixas.

    Gravidez ectópica

    • Gestações múltiplas produzidos de forma natural. Acontece, em parte, devido a estimulação do ciclo menstrual.
  • Vasectomia e Gravidez: ser pai depois de uma vasectomia

    Vasectomia e Gravidez: ser pai depois de uma vasectomia

    A vasectomia é um procedimento de esterilização masculina que consiste em cortar ou selar os canais deferentes do homem para que os espermatozóides não se possam unir ao sémen. Esta operação dura cerca de 20 minutos e é feita sob anestesia geral ou local. Depois da cirurgia o homem continua a produzir espermatozóides mas não os absorve. A eficácia deste procedimento não é imediata e o homem tem de ejacular várias vezes para esvaziar os canais condutores.

    A decisão de fazer uma vasectomia não deve ser tomada de ânimo leve. Quando um homem decide faze-lo deve estar seguro de que não quer ter mais filhos. Contudo, por diferentes circunstâncias da vida, é possível que o homem queira vir a ser pai depois de se ter submetido à esta operação.

    Reversão da vasectomia e gravidez

    Os avanços médicos são importantes mas, apesar do processo de reversão ter êxito não é certo que o homem possa conceber um filho. Existem duas técnicas cirúrgicas para reverter uma vasectomia: a epidimostomia e a vasovasostomia. O objectivo destas técnicas é conseguir que o sémen ejaculado volte a conter espermatozóides.

    – A vasovasostomia é a técnica mais utilizada e que tem uma percentagem de êxito mais elevada. Consiste na unificação dos canais deferentes e a sua duração é de aproximadamente duas horas. A probabilidade de gravidez depois desta intervenção é de aproximadamente 64%.

    – A epidimostomia é uma intervenção mais complexa. Apenas é realizada quando a vasovasostomia não surte efeitos, possivelmente devido a um bloqueio dos canais deferentes. A duração desta cirurgia é de cerca de cinco horas e a probabilidade do homem conseguir engravidar a sua parceira depois da sua realização é de 40%.

    Paternidade e vasectomia

    Gravidez por meio de técnicas de reprodução assistida

    Para aqueles homens que não desejam submeter-se a uma reversão da vasectomia mas que querem ser pais existem outras opções, nomeadamente, técnicas de reprodução assistida como:

    Aspiração testicular de esperma. Esta técnica é feita num quirofano e consiste na extração do esperma do epidídimo dos testículos. Posteriormente, em laboratório, detectam-se os espermatozóides que são microinjectados nos óvulos (um espermatozóide por óvulo). Os embriões viáveis obtidos são transferidos para o útero da parceira do homem que fez a vasectomia.

    Esta técnica é muito utilizada e a probabilidade de conseguir uma gravidez encontra-se entre os 33% e os 40%. Esta técnica evita, ainda, que, após o nascimento de um filho, seja necessário fazer uma nova vasectomia.

    Banco de esperma. Posto que, antes da vasectomia, o homem decidiu congelar o seu esperma esse pode ser utilizado na técnica de inseminação artificial ou de fertilização in vitro em função da qualidade do sémen.

    Vasectomia e Paternidade

    Se as técnicas cirúrgicas e de reprodução assistida falharem, é possível utilizar o sémen de um dador como uma última opção para aqueles casais que desejam ter filhos.

    Como em qualquer operação, a vasectomia e a sua reversão têm alguns riscos. Estas técnicas, bem como as de reprodução assistida, têm custos monetários e demoram algum tempo, logo, há que estar informado e estar seguro antes de tomar a decisão de fazer uma vasectomia ou de reverte-la.

  • Salpingite ou Inflamação das Trompas de Falópio

    Salpingite ou Inflamação das Trompas de Falópio

    A salpingite é a inflamação das trompas de Falópio e pode ser uma das causas da esterilidade de origem tubária na mulher.

    A salpingite é definida como a inflamação de uma ou de ambas as trompas de Falópio. Esta inflamação costuma ser, em 60% dos casos, bilateral, isto é, afecta ambas as trompas. Geralmente afecta mulheres em idade fértil entre os 15 e os 24 anos de idade e a sua incidência é maior em mulheres sexualmente activas porque uma das causas mais comuns desta inflamação são as infecções genitais, sobretudo de transmissão sexual. 40% dessas infecções genitais evoluem e transformam-se numa salpingite.

    É possível diferenciar entre dois tipos de salpingite:

    • A salpingite aguda é a que apresenta sintomas mais severos (febre; dor aguda na parte de baixo do abdómen, etc).
    • A salpingite crónica pode passar despercebida e apenas manifestar-se depois do período de menstruação.

    A salpingite é, também, conhecida como Doença Inflamatória Pélvica (DIP) apesar de esta doença referir-se a infecções em toda a área genital superior, isto é, nas trompas, no útero e nos ovários.

    Esta doença causa inflamações nas estruturas pélvicas, no útero, nos ovários e nas trompas de Falópio e cria um obstáculo mecânico à passagem do embrião até ao útero. Assim, em 50% dos casos de gravidezes ectópicas existe um historial de DIP. Esta doença pode, ainda, ser causadora de esterilidade de origem tubária ou tubariana, uma vez que impede que os espermatozóides cheguem ao óvulo.

    Inflamação das Trompas de Falópio

    Causas da salpingite

    A salpingite é causada por uma infecção de transmissão sexual provocada, na maior parte dos casos, por um tipo de clamídia, a Chlamydia trachomatis, que começa a desenvolver-se na vagina e, posteriormente, ascende até ao restante aparelho reprodutor feminino.

    Outros patogénicos transmitidos por via sexual e que podem causar este tipo de inflamação são o gonococo em 5% dos casos e o micoplasma em um maior número de casos.

    A salpingite manifesta-se no tempo de forma variável. Pode manifestar-se dois dias depois do contacto com o agente patogénico ou apenas 3 semanas ou, inclusivamente, meses depois desse contacto.

    Factores de risco da salpingite

    • Parceiro masculino com infecção genital.
    • Cirurgia pélvica prévia.
    • Utilização do dispositivo intra-uterino como método anticonceptivo.
    • Antecedentes de doença inflamatória pélvica (EPI).
    • Múltiplos parceiros sexuais.

    Sintomas da salpingite

    Os sintomas desta doença podem variar segundo o agente patogénico que a provoca mas a dor na zona pélvica é um dos sintomas mais característicos.

    Outros sintomas que se podem manifestar são:

    • Dor ou cãibras na zona pélvica.
    • Dor durante a ovulação.
    • Relações sexuais dolorosas.
    • Febre.
    • Náuseas e vómitos.
    • Sangramentos menstruais irregulares.
    • Dor ao urinar e vontade de o fazer com mais frequência.
    • Vaginite.
    • Secreção vaginal anormal com corrimento espesso.
    • Dor abdominal em ambos os lados.

    Trompa de Falópio

    Diagnóstico da salpingite

    Antes do diagnóstico de salpingite é necessário realizar um exame físico e pélvico para detectar a existência de uma inflamação. Análises de sangue e cultura de secreções vaginais são, também, feitas para detectar o patogénico responsável pela infecção.

    Geralmente, se o diagnóstico é feito cedo, a inflamação diminui com medicação. Por sua vez, um diagnóstico tardio pode criar complicações graves que pressupõem um tratamento mais agressivo que prolonga as dores e mal-estar das pacientes.

    O ideal é que a própria mulher seja capaz de reconhecer que tem uma inflamação e contactar um médico para que esse faça um diagnóstico o mais rapidamente possível.

    Tratamento da salpingite

    O tratamento baseia-se na administração de medicação a base de antibióticos e anti-inflamatórios para a dor. Nos casos mais graves a paciente pode ter de ser hospitalizada. Ao parceiro da paciente devem, também, ser prescritos antibióticos.

    Em alguns casos uma cirurgia de drenagem pode ser necessária. Isto apenas acontece nos casos em que a infecção gera um abscesso pélvico com acumulação de pus.

    É aconselhável que a mulher não tenha relações sexuais não protegidas durante todo o tratamento.

    Complicações da salpingite

    Algumas das complicações que podem aparecer associadas à salpingite são:

    • Dor pélvica crónica.
    • Esterilidade de origem tubária.
    • Gravidez ectópica.
    • Doença inflamatória da pélvis.
    • A infecção pode criar um abscesso pélvico
    • Septicemia ou infecção generalizada.
  • Análise da Quantidade de Leucócitos no Esperma

    Análise da Quantidade de Leucócitos no Esperma

    A quantidade de leucócitos no esperma é avaliada através de um espermograma e a sua contagem é feita por milímetros de sémen.

    Valores iguais ou inferiores a 1 milhão de leucócitos por mililitro de esperma é considerado normal. A alteração na qual os valores superam os 10 milhões de leucócitos por mililitro é denominada de prospermia.

    A presença de leucócitos no esperma é um reflexo de uma infecção que pode dar origem a uma esterilidade temporal que tem de ser tratada para que não se torne permanente.

    Analíses dos leucócitos no esperma

    Quando valores superiores a 1 milhão de leucócitos/ml são detectados é feito um estudo bacteriológico que consiste na cultura do esperma.

    A cultura do esperma consiste em analisar o esperma ou sémen em busca de infecções causadas por bactérias, fungos, etc. Os diferentes tipos de cultura são:

    • Ágar Sangue
    • Ágar Chocolate
    • Ágar EMB

    As amostras são incubadas na temperatura adequada para cada método e uma observação e contagem das colónias de leucócitos é feita posteriormente. A cor da colónia é indicativa do microorganismo que a forma.

    Tinções e a observação por microscópio das colónias podem ser feitas com o objectivo de determinar qual o microorganismo causador do número elevado de leucócitos. Bactérias como a Escherichia coli, Klebsiella pneumonia, Proteus mirabilis, Pseudomona aeruginosa, Staphilococcus aureus, etc, podem ser encontradas.

    As bactérias podem aninhar-se em qualquer dos órgãos do sistema reprodutor masculino como os testículos ou próstata.

    Se algum organismo for detectado o especialista indicará um tratamento capaz de erradicar a infecção.

  • Os Nascimentos Mais Estranhos do Mundo

    Os Nascimentos Mais Estranhos do Mundo

    Trazer um bebé ao mundo é um acto assombroso que muitas pessoas classificam de milagre. Por vezes, essa palavra ganha um sentido especial.

    Os nascimentos mais espantosos do Mundo são os seguintes:

    Bebé com mais peso

    Bebé mais pesado do mundo
    No ano de 1955 nasceu o bebé mais pesado do Mundo. Carmelina Fedele deu a luz a um menino com 10.2kg.No ano de 2009, nasceu na Indonésia o segundo bebé mais pesado do Mundo com 8.7kg.

    Bebé mais pequeno

    Bebé mais pequeno do mundo
    Rumaisa Rahman nasceu em 2004 após uma gestação de apenas 25 semanas e 6 dias. No momento do nascimento pesava 230 gramas e media 25 centímetros.

    A mãe mais jovem

    A mãe mais jovem do mundo
    Lina Medina, do Peru, nasceu em 1933 e foi mãe quando tinha apenas 5 anos e oito meses. O seu bebé nasceu em 1939 com um peso de 2.7kg. Os pais de Lina, pensando que a sua filha tinha um tumor, levaram-na ao médico quando observaram que a sua barriga crescia.

    A mãe mais velha

    A mãe mais velha do mundo
    Rajo Devi Lohan é a mãe pela primeira vez mais velha do Mundo. Foi mãe pela primeira vez aos 70 anos de idade em 2008. Na índia muitas mulheres submetem-se a tratamentos de fertilização in vitro numa idade avançada depois de terem tentado engravidar de forma natural.

    O primeiro homem grávido

    Primeiro homem grávido do mundo
    Em 2008 Thomas Beatie surpreendeu o Mundo com várias fotografias que demonstravam que estava num estado de gestação avançado. Thomas nasceu mulher e submeteu-se a uma mastectomia e terapia hormonal para mudança de sexo, contudo, conservou os seus órgãos reprodutores femininos. Sendo a mulher de Thomas estéril o casal decidiu que ele se submeteria a um tratamento de inseminação artificial. Até a data, Thomas teve três filhos.

    Parto mais numeroso

    Gestação múltipla
    Em 2009 Nadya Suleman apareceu na capa de várias revistas e jornais após ter dado à luz a 8 bebés no mesmo parto. A história desta mulher é muito polémica pois é uma mãe solteira sem recursos económicos que se submeteu a um tratamento de reprodução assistida depois de já ter 6 filhos. Nos EUA não existe um limite do número de embriões que podem ser transferidos no contexto de uma fertilização in vitro.

    Gémeos fraternos de diferentes colores

    Gêmeos fraternos de diferentes cores
    Apesar de não ser habitual é possível que um casal inter-racial tenha filhos com cores de pele diferentes. Miya e Leah Durrant nasceram em 2008 e têm uma cor de pele distinta uma da outra. Cada uma das crianças tem características de um dos seus progenitores.

    Pais negros com um bebé de cor branca


    Nmachi é branca, com olhos azuis e cabelo loiro. O mais surpreendente é que os seus pais são negros. A bebé não é albina nem sobre de nenhum transtorno de pele. Foi confirmado que é, geneticamente, filha deste casal.

  • Criptorquia

    Criptorquia

    A criptorquia ou criptorquidia é uma anomalia congénita caracterizada pela incorrecta descida de um ou ambos os testículos durante o desenvolvimento do feto.

    Os testículos permanecem na cavidade abdominal ou no canal inguinal e não descem até ao escroto, lugar onde deveriam estar no momento do nascimento do bebé de sexo masculino.

    Esta anomalia é muito comum em bebés prematuros, afectando entre 20% e 30% desses e apenas 3% ou 4% dos bebés que não são prematuros. Em 80% dos casos a criptorquia é unilateral, isto é, afecta apenas um testículo, mais frequentemente o esquerdo. Os casos de criptorquia bilateral sao menos comuns.

    Criptorquia

    Na maioria dos casos a descida do testículo acontecerá de forma espontânea entre os 6 e os 12 primeiros meses de vida do bebé.

    A criptorquia é uma anomalia assintomática. O paciente apenas notará que a sua bolsa escrotal está vazia.

    Causas da criptorquia

    A criptorquia ou testículo oculto pode ser originada por:

    • Uma anomalia anatómica, como una anomalia de Gubernaculum (um ligamento do epidídimo onde está inserido o testículo).
    • Um obstáculo mecânico encontrado durante a migração do testículo. Os vasos ou nervos do esperma ou o canal inguinal são muito estreitos.
    • Uma obstrução do orifício do escroto.
    • Defeito ou insuficiência hormonal. Para que aparelho reprodutor se desenvolva correctamente são necessárias gonadotrofinas.
    • Falta de pressão abdominal.
    • Causas genéticas: Síndrome de Prader-Willi, síndrome de Kallman, etc.

    Diagnóstico da criptorquia

    O diagnóstico geralmente é feito por palpação da bolsa do escroto, da zona abdominal e do canal inguinal em busca dos testículos. Este exame físico é feito no momento do nascimento da criança ou nas consultas de rotinas.

    Em 15% dos casos é difícil localizar os testículos e há que realizar um exame complementar como uma ecografia abdominal. Se, após este exame, os testículos não são localizados é possível recorrer a outros exames como:

    • Ultra-som.
    • TAC.
    • Ressonância magnética.

    Se, mesmo após estes exames, não for possível localizar os testículos será necessário fazer uma cirurgia por laparoscopia. Esta cirurgia é, normalmente, feita entre o primeiro e o segundo ano de vida do bebé, a não ser que a criptorquia esteja associada a uma hérnia e que a intervenção tenha de ser mais temprana.

    Riscos e complicações da criptorquia

    Os principais riscos e complicações que derivam da criptorquia são:

    • Esterilidade. Para que haja uma correcta produção de espermatozóides os testículos devem estar a uma temperatura inferior a temperatura corporal. É por isso que os testículos estão localizados na bolsa do escroto, a uma temperatura de 33ºC. Uma temperatura maior pode provocar a morte das células.
    • Cancro do testículo. As pessoas que padeceram de uma criptorquia apresentam um risco maior de desenvolvimento de tumores no testículo ou por atrofia ou por desequilíbrio hormonal.
    • Hérnia inguinal. Pode desenvolver-se em 65% dos casos.
    • Menor tamanho testicular. Devido a esta anomalia o testículo não cresce de forma natural.
    • Torção testicular. Os cordões espermáticos destas crianças podem torcer e interromper o fornecimento de sangue ao testículo.
    • Efeitos psicológicos no homem adulto.

    Efeitos psicologicos no homen

    Tratamento da criptorquia

    Se o testículo não descende de forma espontânea durante os 12 primeiros meses de vida da criança, há que recorrer a um tratamento para evitar lesões futuras.

    Existe um tratamento médico com hormonas, beta HCG ou testosterona, que estimula a descida mas que é cada vez menos utilizado devido aos seus efeitos secundários.

    A cirurgia orquiopexia é o tratamento mais utilizado e o mais eficaz. Esta cirurgia é, normalmente, realizada antes dos dois anos de idade.

    Existem vários estudos sobre a relação da cirurgia com a fertilidade posterior e com o risco de desenvolvimento de algum tumor testicular. Em ambos os casos, as cirurgias que foram feitas numa idade mais precoce apresentaram um melhor prognóstico de recuperação do volume testicular, bem como um menor risco de cancro.

  • Gravidez mês por mês

    Gravidez mês por mês

    Gravidez é o processo que ocorre deste que o espermatozóide atravessa a membrana do óvulo e o fertiliza até ao momento do parto.

    Durante a gravidez o embrião sofre uma serie de mudanças, já que passa de zigoto (embrião de uma só célula) à bebé, uma pessoa completamente formada com todos os órgãos internos. Este período é denominado de desenvolvimento embrionário.

    1 mês de gravidez

    O primeiro mês de gravidez é o mês no qual dá-se a fertilização, isto é, o óvulo é fertilizado pelo espermatozóide e o processo de formação do embrião inicia-se. Como é quase impossível detectar com exactidão o momento da fertilização, considera-se que o primeiro dia de gravidez é o primeiro dia da última menstruação. Assim, a primeira semana de gestação coincide com a última semana da menstruação.

    Durante a segunda semana ocorre a selecção folicular. Os folículos elegidos começam a crescer e convertem-se em folículos primários. Contudo, apenas um será o seleccionado em função da sua resposta a hormona FSH.

    Na terceira semana do processo, o ovócito viaja pelas trompas de Falópio, desprendendo-se do folículo que o contem. O ovócito é fertilizado e continua a amadurecer até ao momento em que se transforma num óvulo.

    O óvulo já fertilizado prossegue o seu caminho até ao útero. Durante esta descida, o núcleo do espermatozóide, que contém o material genético do homem, e o núcleo do óvulo, que contem o material genético da mulher, fundem-se e definem os genes do futuro bebé.

    Implantação no primeiro mês

    2 meses de gravidez

    Durante o segundo mês de gravidez as três camadas de células que formam os tecidos do futuro bebé são criadas.

    A espinha medular, o cérebro, o coração, o intestino e a pele formam-se neste período. Os olhos, as orelhas, o nariz e o lábio superior da boca também começam a formar-se. Este é um mês de muita evolução e durante o qual o embrião começa a tomar forma humana.

    Num extremo do embrião, uma cabeça maior que o tronco é formada e, no outro extremo, uma espécie de cauda.

    A gastrulação ocorre na quinta semana de gestação. As células do blastocisto dividem-se até formarem células de três tipos distintos que constituirão o tecido do bebé.

    Este mês é importante porque é quando há a formação do coração do bebé, órgão vital.

    Ao fim deste mês o embrião mede cerca de 13mm de comprimento.

    Gastrulação no segundo mês de gravidez

    3 meses de gravidez

    Neste mês o embrião passa a chamar-se de feto. No terceiro mês de gravidez todos os órgãos do bebé já estão desenvolvidos, apesar de ainda não estarem completamente formados. Precisam amadurecer e evoluir correctamente. Os genitais começam a definir-se mas ainda é cedo para determinar se o feto é um menino ou menina.

    Ao longo destas três semanas o feto cresce mais de 7cm e pode chegar a pesar 20 gramas. A futura mãe engodará neste período cerca de 10% do total que engordará durante a gravidez.

    Os movimentos do bebé nesta fase são bastante intensos e a futura mãe não deve alarmar-se com a sua intensificação. Esta mobilidade do bebé é um sinal de que está a evoluir correctamente.

    Este mês tranquiliza os futuros pais pois, passados 3 meses, o risco de aborto espontâneo diminui.

    Nesta fase a ligação entre mãe e bebé intensifica-se pois a mulher começa a prestar maior atenção a sua alimentação e estilo de vida e a tudo o que possa afectar o bebé.

    De embrião a feto

    4 meses de gravidez

    Neste mês o feto é envolto por um cabelo muito fino que cobre a sua pele enquanto o corpo não tem gordura o suficiente. Assim, conserva o calor corporal do bebé.

    Durante este período, há a formação das cordas vocais que só serão utilizadas pelo bebé depois do seu nascimento.

    Nesta fase os olhos do feto são particularmente grandes e estão cerrados e muito separados um do outro. A cara está bem definida sendo possível distinguir o pescoço. Os dentes e as orelhas começam a desenvolverem-se.

    Com o início da formação da cara, os músculos do bebé são capazes de realizar movimentos de sucção e o bebé é capaz de chuchar no dedo.

    O tamanho do feto no início deste mês é, normalmente, de 8.5 cm de comprimento e este pode crescer até aos 15cm. O seu peso é de cerca de 170 gramas.

    O novo ser começa a expulsar urina que se mistura com o líquido amniótico. As funções das suas glândulas sebáceas começam a desenvolverem-se.

    Desenvolvimento embrionário no quarto mês

    5 meses de gravidez

    As cavidades cardíacas estão delimitadas e o coração já bate com força. Os sentidos como o gosto começam a desenvolverem-se.

    No fim deste mês o bebé pode ter 22 cm. A mulher notará que quando se deita o feto mexe-se muito mais. Isto acontece porque nesses momentos o feto não está tão bem encaixado na pélvis quanto quando a mulher está de pé.

    Nas últimas semanas do quinto mês de gravidez, a segunda capa de dentes do bebé e milhões de neurónios são criados.

    É possível que o umbigo da mulher saia um pouco para fora. Se isto acontecer, voltará ao sítio depois do parto. A mulher já não sente náuseas nem tem vómitos apesar de poder sentir alguma indigestão. Isto acontece devido as mudanças de posição do bebé e devido a pressão que exerce no útero.

    Desenvolvimento cardíaco

    6 meses de gravidez

    Os músculos do bebé já estão formados e, graças ao comprimento do cordão umbilical, este já se pode mover com mais energia.

    O futuro ser também responde aos estímulos do exterior como a música. O bebé mede aproximadamente de entre 27 a 32cm e pesa de entre 450 a 750 gramas.

    A pele do bebé começa a ficar opaca e mais consistente e este já pode abrir e fechar os olhos. As proporções do copo do bebé começam a igualarem-se as da sua cabeça. O feto cada vez mais se parece com um recém-nascido.

    Desenvolvimento do feto

    7 meses de gravidez

    Neste período o esqueleto do bebé torna-se mais forte e os seus pulmões desenvolvem-se. A gordura acumula-se no seu corpo para que o bebé possa controlar a sua temperatura corporal após o nascimento. A quantidade de cabelo que cobre o corpo do bebé começa a diminuir. Neste mês o comprimento do bebé vai dos 33 aos 38cm e este já pode pesar mais de um quilo.

    Devido ao seu considerável aumento de peso e tamanho, os movimentos do bebé começam a ser mais limitados. Há uma maior pressão sobre a bexiga da mulher que pode ter de urinar mais frequentemente. A pigmentação da pele do bebé é feita através das células que produzem melanina.

    7 meses de gestação

    8 meses de gravidez

    O bebé continua a ganhar peso e a crescer e os movimentos tornam-se cada vez mais lentos. Os pulmões do bebé estão quase completamente desenvolvidos e a mulher sentirá um aumento do peso no seu útero. A mulher poderá, também, ter dificuldades em adormecer e os seus movimentos começarão a ser mais limitados.

    O bebé ouve sons, sente luz e começa a desenvolver o seu sentido de olfacto. É possível que a mulher gravida sinta-se cansada mas isto não é motivo para preocupações. Isto ocorre devido ao aumento de peso que dificulta os movimentos e respiração.

    Desenvolvimento do bebé aos 8 meses de gestação

    9 meses de gravidez

    O bebé desce até a pélvis da futura mãe. O seu estômago e intestino já funcionam e a sua pele é mais suave devido as células gordas que se formam.

    Perto do fim deste mês o feto deve medir cerca de 43cm e o seu peso deve ser de entre 1.980 e 2.730kg. Assim, o bebé tem pouco espaço e os seus movimentos são mais bruscos.

    Nesta fase da gravidez o bebé já é capaz de respirar e fazer movimentos de sucção e deglutição ao mesmo tempo. Isto permitirá que se alimente do leite materno depois de nascer. O bebé começa, também, a fabricar as suas próprias células sanguíneas.

    O bebé está preparado para nascer

    10 meses de gravidez

    Nesta última etapa do período de gestação, o bebé tem unhas compridas e os seus órgãos estão completamente formados. A criança está pronta para sair da placenta e do ventre da sua mãe. O útero estará encarregue de exercer a força e a pressão necessárias para que se produza parto.

    Neste mês o bebé tem entre 45 e 55cm e pesa, em média, entre 2.520 e 3.670 gramas.

    Último mês de gravidez

    A mulher gravida poderá sentir contracções fortes conhecidas como “contracções de Braxton Hicks”. O líquido amniótico renova-se de 3 em 3 horas.

    Se a partir da 42ª semana de gestação o bebé não tiver nascido, o médico especialista deverá provocar o parto pois o bebé está pronto para nascer e ficar mais tempo do que necessário no útero da mãe pode trazer riscos para ambos.

  • Depois da Transferência Embrionária

    Depois da Transferência Embrionária

    O momento da transferência embrionária é um dos momentos mais importantes de todas as técnicas de reprodução assistida in vitro, já que, se não for correctamente efectuada o resultado pode não ser o esperado. É preciso ter em conta que mesmo quando o procedimento é bem realizado o resultado pode ser negativo.

    A vida da paciente altera-se após esta abandonar a sala de transferência pois começa o período de espera até que um teste de gravidez possa ser feito. Habitualmente essa espera é de 14 ou 15 dias desde a punção ovárica ou de 10 dias depois do início do desenvolvimento do embrião em casos de transferência de embriões congelados.

    Beber água depois da transferência de embriões

    A única medicação que deve ser administrada é a prescrita pelo ginecologista durante o tratamento. As doses de progesterona costumam manter-se até a 12ª semana de gestação pois contribuem para o funcionamento do corpo lúteo. Depois deste período o médico pode reduzir a dose ou até retirá-la porque a partir da 12ª de gravidez a placenta já produz progesterona em quantidades suficientes.

    Se a mulher precisar de tomar algum medicamento para, por exemplo, dores de cabeça ou dores musculares deve contactar o médico encarregue do seu tratamento. Não costuma haver problemas em tomar um analgésico tipo Paracetamol.

    Repouso após a transferência

    Durante as 6 primeiras horas que procedem a transferência a mulher deve repousar um pouco mais. Depois desse período de tempo a paciente deve manter um estilo de vida tranquilo e deve evitar esforços físicos exagerados, não deve levantar pesos e não deve praticar desportos intensos.

    É, também, importante que a mulher não mantenha relações sexuais até a realização do teste de gravidez e que evite os banhos de imersão em banheiras, piscinas ou praias de água quente com o objectivo de evitar infecções que possam afectar a medicação que lhe foi prescrita.

    Com excepção das actividades bruscas, a mulher pode prosseguir com as suas actividades diárias. Pode sair, passear, conduzir e trabalhar sempre que essas actividades não envolvam grandes esforços físicos.

    A ingestão de líquidos em abundância é recomendada e, dentro da medida do possível, a ingestão de sal deve ser diminuída.

    Espera depois da transferência embrionária

    Se sintomas como sangramentos, febre, vómitos, dor abdominal ou dificuldades respiratórias manifestarem-se a mulher deve contactar a clínica onde fez a transferência.

    Espera de duas semanas

    Passadas cerca de duas semanas da transferência um teste de gravidez pode ser feito. Este teste pode ser um teste de urina ou de sangue. A paciente deve seguir as instruções da clínica de reprodução e comunicar-lhes o resultado do exame.

    No caso do resultado do teste ser positivo é provável que a clínica aconselhe a mulher a visitar o seu ginecologista habitual para que esse possa fazer uma ecografia e comprovar que tudo está bem. Se o resultado é negativo mas não há qualquer sangramento vaginal, um novo teste de gravidez deve ser feito cerca de uma semana depois.

    O mais importante é que as pacientes mantenham a calma e sigam as instruções dos médicos e da clínica.

  • Dor durante a Ovulação

    Dor durante a Ovulação

    A ovulação é o momento do ciclo menstrual mais fértil para a mulher e acontece quando um ovário liberta um óvulo maduro nas Trompas de Falópio para que esse possa ser fertilizado. O óvulo fica nas trompas durante um ou dois dias e, no caso de não ser fertilizado, começa a desintegrar-se dando origem a um sangramento vaginal apelidado de menstruação.

    Um elevado número de mulheres sente cãibras, dores de cabeça, obstipação ou diarreia durante o período menstrual. Contudo, cerca de 20% das mulheres sente dores também durante a ovulação que ocorre na metade do ciclo menstrual. Este tipo de dor é considerado normal e raramente é grave.

    Cientificamente, este tipo de dor é conhecido como Mittelschmerz, uma palavra alemã que significa “dor média” e que se produz quando o ciclo menstrual está na sua metade.

    Ciclo menstrual

    Sintomas da Mittelschmerz

    As mulheres costumam sentir uma dor na parte baixa do abdómen, por vezes localizada num só lado dependendo do ovário que tenha libertado o óvulo. Esta dor pode durar poucas horas ou alguns dias. Em casos graves podem ser acompanhadas de cãibras ou de um ligeiro sangramento.

    Causas da Mittelschmerz

    As origens desta dor têm várias explicações:

    • Antes da ovulação o crescimento do folículo pode causar uma tensão da superfície do ovário e causar dor.
    • No momento da ovulação se o folículo que envolve o óvulo rompe pode haver a libertação de sangue e a consequente irritação do revestimento abdominal que causa dor.

    Apesar da dor pélvica durante a ovulação poder ser intensa não é grave. De facto, esta dor pode ser vantajosa no planeamento de uma gravidez. As mulheres têm mais probabilidades de engravidar logo antes da ovulação, no dia da ovulação ou imediatamente depois desta.

    Tratamento

    Dor durante a ovulação

    Não é necessário qualquer tratamento mas se a dor é intensa e prolongada a mulher pode tomar analgésicos. O médico pode, igualmente, receitas anticonceptivos orais que previnam a ovulação e ajudem a reduzir a dor relacionada com esta.

    No caso de a mulher sentir muitas dores deve consultar o ginecologista para que um exame pélvico capaz de diagnosticar a causa das dores seja feito.

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